Precisamos Falar Sobre Kevin, ( We Need To Talk About Kevin, 2012, EUA)

Ao terminar o filme “Precisamos Falar Sobre Kevin” uma angústia domina o peito e as palavras somem, parecendo ser proposital, já que todos os momentos da fita são marcados por uma melancolia e o anúncio de tragédia que percorre todos os diálogos, tomadas, montagem e fotografia. O longa metragem dirigido por Lynne Ramsay é uma adaptação do livro que leva o mesmo nome, escrito por Lionel Shriver.
Baseado na tragédia que afetou a escola americana de Columbine, a história narra pela ótica de uma mãe, o assassinato em massa cometido por seu filho, um fato que levaria a mudar a sua vida totalmente. E dessa forma, sem lógica temporal, com idas e vindas no tempo, somos testemunhas dos acontecimentos e relações entre os personagens.
A fita sai na frente em termos de qualidade por inserir-nos numa narrativa onde não existe o julgamento, apenas o relato, com isso o diretor deixa a nosso cargo o diagnóstico, no entanto, particularmente, acho difícil encontrar respostas fáceis, teria que assistir o longa mais uma vez para assim ensaiar o motivo para o ato de Kevin.
Outra vez, deixando uma impressão particular, achei a forma crua da condução da trama uma das coisas mais assustadoras que assisti nos últimos tempos, confesso que para isso favoreceu o desempenho da atriz Tilda Swinton interpretando a mãe, cujo semblante índica um indivíduo perdido em sua existência, em contra partida, ao mesmo tempo em que demonstra estar perdido surge o desespero nas suas ações tentando buscar o carinho em sua relação com o filho.
Com uma produção independente e o cinema real pautando sua fórmula, talvez o exagero da excelente história seja o excesso de trilha sonora, pareceu que determinados momentos o som ambiente poderia ser um mecanismo a favor da trama e não o uso de trilhas distintas em suas melodias que acabam nos direcionando para fora da circunstância filmada.
Se fosse para indicar, diria que “Precisamos Falar Sobre Kevin” é objeto obrigatório para toda família. Como o filme Elefante, do Gus Van Sant também é. Duas obras que se dialogam por não tratar o seu público de forma tendenciosa, respeitando e o mais importante de tudo: Ouvindo.

Oscar 2012

Nessa última semana ocorreu o anúncio dos indicados para 84° edição do Academy Awards, o Oscar, em Los Angeles. E como sempre apostar nos vencedores após o seu anúncio é uma tarefa árdua, já que a maioria dos nomes lembrados pela academia sequer foram lançados em terras tupiniquins. Por outro lado, como de costume, a curiosidade e a vontade de assistir novas produções chamam a atenção do cinéfilo.
Esse ano foram indicados 9 títulos para a categoria melhor filme do ano, o  prêmio mais aguardado da noite, dos nomes lembrados, o longa metragem americano “ Tão Forte e Tão Perto foi a surpresa, os outros nomes que compõem a lista já estavam sendo esperado, como “A invenção de Hugo Cabret” que lidera em quesito de indicações, com 11 indicações no total, vindo em seguida, “ O Artista” é o grande favorito da noite e o vice em número de indicações, com 10 no total, em seguida e acredito que correndo por fora surge, “ Os Descendentes”,  “O Homem que Mudou o Jogo”, “Vidas Cruzadas”, “Meia Noite em Paris”, “A Árvore da Vida” e “Cavalo de Guerra”.
Particularmente, de todas as categorias, a que chama mais atenção por seu nível de dificuldade, por causa dos indicados, é a de melhor diretor, que contém grandes nomes do cinema, começando pelo trio de ferro, Martin Scorsese aparece por seu Hugo Cabret, Woody Allen retorna a ser indicado por seu Meia Noite em Paris e Terence Malick surge com o seu A Árvore da Vida, finalizando os indicados, aparecem nomes poucos conhecidos mas com grande potencial, como “Alexandre Payne, por Os Descendentes” e “ Michel Hazanavicius, por O Artista”.
Já que o brasileiro Tropa de Elite 2 não foi indicado para melhor filme estrangeiro, o único representante do Brasil  são os cantores Carlinhos Brown e Sergio Mendes que foram indicados pela canção Real in Rio que faz parte da animação Rio, do diretor Carlos Saldanha.
Se fosse para opinar os vencedores das principais categorias, de acordo com o gosto da academia diria que para melhor filme o ganhador seria “O Artista”, diretor seria Martin Scorsese, ator para Gary Oldman pelo”O Espião que Sabia Demais” e atriz para Michele Willians por “Sete Dias com Marilyn”. No entanto, se fosse para apostar           seguido o meu gosto particular diria que só não mudaria o prêmio de atriz, do resto seria tudo diferente, para melhor filme: A Árvore da Vida, melhor diretor: Terence Malick e Ator: Brad Pitt pelo “O Homem que Mudou o Jogo”.
Agora resta esperar para o próximo dia 26 de fevereiro, data da premiação e fazer suas apostas.
Segue a lista inteira dos indicados.

Filme
O Artista – Thomas Langmann
Os Descendentes – Jim Burke, Alexander Payne e Jim Taylor
Tão Forte e Tão Perto – Scott Rudin
Histórias Cruzadas – Brunson Green, Chris Columbus e Michael Barnathan
A Invenção de Hugo Cabret – Graham King e Martin Scorsese
Meia-Noite em Paris – Letty Aronson e Stephen Tenenbaum
O Homem que Mudou o Jogo – Michael De Luca, Rachael Horovitz e Brad Pitt
A Árvore da Vida – Indicados a serem determinados
Cavalo de Guerra – Steven Spielberg e Kathleen Kennedy



Diretor
Terence Mallick por A Árvore da Vida
Martin Scorsese por A Invenção de Hugo Cabret
Woody Allen por Meia-Noite em Paris
Michel Hazanavicius por O Artista
Alexander Payne por Os Descendentes


Ator
Demián Bichir por A Better Life
Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais
George Clooney por Os Descendentes
Jean Dujardin por O Artista
Brad Pitt por O Homem que Mudou o Jogo


Atriz
Viola Davis por Histórias Cruzadas
Glenn Close por Albert Nobbs
Rooney Mara por Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
Meryl Streep por A Dama de Ferro
Michelle Williams por Sete Dias com Marilyn 


Ator Coadjuvante
Max Von Sydow por Tão Forte e Tão Perto
Christopher Plummer por Beginners
Kenneth Branagh por Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte por Guerreiro
Jonah Hill por O Homem que Mudou o Jogo


Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo por O Artista
Jessica Chastain por Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy por Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer por Albert Nobbs
Octavia Spencer por Histórias Cruzadas

Roteiro Adaptado
Os Descendentes – Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret – John Logan
Tudo Pelo Poder – George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo – Steven Zaillian e Aaron Sorkin, história de Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais – Bridget O’Connor & Peter Straughan


Roteiro Original
O Artista – Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento – Annie Mumolo & Kristen Wiig
Margin Call: O Dia Antes do Fim – J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris – Woody Allen
A Separação – Asghar Farhadi


Animação
Um Gato em Paris – Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Chico & Rita – Fernando Trueba e Javier Mariscal
Kung Fu Panda 2 – Jennifer Yuh Nelson
Gato de Botas – Chris Miller
Rango – Gore Verbinski

Filme Estrangeiro
Bullhead (Bélgica) – Michael R. Roskam
Monsieur Lazhar (Canadá) – Philippe Falardeau
A Separação (Irã) – Asghar Farhadi
Footnote (Israel) – Joseph Cedar
In Darkness (Polônia) – Agnieszka Holland


Fotografia
O Artista – Guillaume Schiffman
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – Jeff Cronenweth
A Invenção de Hugo Cabret – Robert Richardson
A Árvore da Vida – Emmanuel Lubezki
Cavalo de Guerra – Janusz Kaminski

Direção de Arte
O Artista – Laurence Bennett (Design de Produção) e Robert Gould (Decoração de Set)
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Stuart Craig (Design de Produção) e Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Invenção de Hugo Cabret – Dante Ferretti (Design de Produção) e Francesca Lo Schiavo (Decoração de Set)
Cavalo de Guerra – Rick Carter (Design de Produção) e Lee Sandales (Decoração de Set)
Meia Noite em Paris – Anne Seibel (Design de Produção) e Hélène Dubreuil (Decoração de Set)


Figurino
Anônimo – Lisy Christl
O Artista – Mark Bridges
A Invenção de Hugo Cabret – Sandy Powell
Jane Eyre – Michael O’Connor
W.E. – Arianne Phillips

Documentário
Hell and Back Again – Danfung Dennis e Mike Lerner
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front – Marshall Curry e Sam Cullman
Paradise Lost 3: Purgatory – Joe Berlinger e Bruce Sinofsky
Pina – Wim Wenders e Gian-Piero Ringel
Undefeated – TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

Curta Documentário
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement – Robin Fryday e Gail Dolgin
God is the Bigger Elvis – Rebecca Cammisa e Julie Anderson
Incident in New Baghdad – James Spione
Saving Face – Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy
The Tsunami and the Cherry Blossom – Lucy Walker e Kira Carstensen

Montagem
O Artista – Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius
Os Descendentes – Kevin Tent
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – Kirk Baxter and Angus Wall
A Invenção de Hugo Cabret – Thelma Schoonmaker
O Homem que Mudou o Jogo – Christopher Tellefsen


Maquiagem

Albert Nobbs – Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin
A Dama de Ferro – Mark Coulier e J. Roy Helland

Música – Trilha Sonora Original
As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne – John Williams
O Artista – Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret – Howard Shore
O Espião que Sabia Demais – Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra – John Williams
Música – Canção Original
Man or Muppet” de Os Muppets – Letra e música de Bret McKenzie
Real in Rio” de Rio – Letra de Siedah Garret, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown

Curta metragem de Animação
Dimanche/Sunday – Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore – William Joyce e Brandon Oldenburg
La Luna – Enrico Casarosa
A Morning Stroll – Grant Orchard e Sue Goffe
Wild Life – Amanda Forbis e Wendy Tilby
Curta metragem
Pentecost – Peter McDonald e Eimear O’Kane
Raju – Max Zähle e Stefan Gieren
The Shore – Terry George e Oorlagh George
Time Freak – Andrew Bowler e Gigi Causey
Tuba Atlantic – Hallvar Witzø

Montagem de Som
Drive – Lon Bender e Victor Ray Ennis
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – Ren Klyce
A Invenção de Hugo Cabret – Philip Stockton e Eugene Gearty
Transformers: O Lado Oculto da Lua – Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl
Cavalo de Guerra – Richard Hymns e Gary Rydstrom

Mixagem de Som
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres – David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson
A Invenção de Hugo Cabret – Tom Fleischman e John Midgley
O Homem que Mudou o Jogo – Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick
Transformers: O Lado Oculto da Lua – Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin
Cavalo de Guerra – Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

Efeitos Visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson
A Invenção de Hugo Cabret – Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning
Gigantes de Aço – Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg
Planeta dos Macacos: A Origem – Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett
Transformers: O Lado Oculto da Lua – Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

É fundamental se perder

O início do ano grita dias difíceis para ser vividos, no entanto resta a vontade de compactar o que julgou ser necessária e determinante na sua existência durante os antecedentes do antigo para o novo. É fundamental se perder, estar perdido significa ser conduzido para dentro de si. O novo ano inicia-se e um dos maiores pensadores pós-moderno faleceu, muitos olhares externos estiveram fechados diante de sua existência. O dia que se vive nem sempre foi capaz de explicar seus paradigmas. O dia que se passa às vezes é pequeno demais para nossas vontades. Vontades que certas vezes ocorrem, porém passam a ser censuradas pela ausência do sol. Como agir, como batalhar contra si próprio, que não entende a necessidade de deixar o presente respirar? Respire presente, vou ser perspicaz, inquieto, competente, solene como Piza foi durante a sua carreira. Ou se aproximar de tanto. Com tudo, entender e aceitar a si próprio é o passaporte para dar ouvidos ao mistério. Que diante desse embate, o tempo me faça colecionar momentos felizes. Perdido: estive e se perder é fundamental para se encontrar mais evoluído. Que nesse novo ano a nossa generosidade seja regada diariamente. 

Os 10 (+) 1 melhores filmes de 2011

Uma das coisas que mais gosto no fim do ano são as listas de melhores do ano, seja ela qual for. Sempre gostei, quando criança acompanhava a sintonia das principais estações radiofônicas para ter a minha própria retrospectiva e ouvir quais foram as melhores canções. Por isso, faço mais uma seleção de minha autoria, os melhores do cinema, mesmo que seja a mais superficial possível, já que assisti poucos filmes nesse ano. Abaixo dos filmes, insiro três explicações de o porquê gostei tanto.
11° Harry Potter e As Relíquias da Morte parte II
° O encerramento da maior saga da história do cinema
° A valorização de personagens secundários
° Cenas finais emocionantes
10° Blue Valentine
° Um dos filmes mais reais que já assisti
° Excelentes atuações

° Cenas memoráveis









09° Shocking Blue
° Uma narrativa precisa sobre o rompimento da adolescência para a vida adulta
° Cenas delicadas que fazem tornar o longa metragem uma poesia audiovisual
° O compromisso com o real, nada é exposto de forma incoerente, tudo tem um motivo, tudo se encaixa
08° O Palhaço
° Uma homenagem ao riso inocente
° A simplicidade trouxe o charme da produção
° Paulo José protagonizando uma das melhores cenas que eu já vi, quando se despende de sua mulher sem abrir a boca, somente com a feição do rosto
07° Meia Noite em Paris
° Woody Allen sabe criar roteiros de cinema como poucos
° Você senta na cadeira e literalmente entra na história do filme, sem se dar conta do relógio
° Owen Wilson está soberbo, o melhor alter-ego de Allen que já vi
06° Melancolia
° É aquele filme que acaba e você tenta recuperar o fôlego de tão intenso que é
° Uma abordagem autoral e instigante
° Metáforas nos diálogos e na tela que acabam atraindo sua mente
05° Rango
° Uma homenagem genial para o gênero faroeste
° Leve, divertido, engraçado, uma das melhores animações que eu já vi
° Se tornou tão bom, já que assisti sem nenhuma expectativa, também é aqueles filmes que você assisti e nem vê o tempo passar
04° Medianeiras – Buenos Aires na era do amor virtual
° Poético
° A narrativa beira a perfeição
° O diretor conseguiu transmitir a rapidez do mundo cibernético para a tela do cinema
03° A Árvore da Vida
° Não é um filme comum, é um ensinamento de vida
° Lindo e tocante, invadi sua alma
° Um experimento audiovisual
02° A pele que habito
° Uma aula de cinema
° Antonio Banderas soberbo
º Uma crítica poderosa ao comportamento humano, surpreendente
01° Cisne Negro
° Natalie Portman
° O melhor epílogo que eu já vi no cinema
º Aquela obra que décadas vão passar e haverá ainda alguém para comentar sobre

10 (+) 1 Melhores álbuns de 2011

Aproveitando a onda de listas dos melhores do ano, peço licença e arrisco dizer o que no meu universo particular considerei de melhor dentro da música. Uma lista nada definitiva, pelo contrário, com as escolhas podendo ser colocada em cheque, até porque não sou nenhum profissional da música e não tenho gabarito suficiente para apontar os melhores de fato. Mas, como um admirador da musicalidade ampla, independente de gênero, sou um entusiasta é preciso de alguma forma colocar tudo que determinados álbuns me causaram ao longo dos meus dias nesse ano que começa a ensaiar o seu final.
11° Thaís Gullin – ôÔÔôôÔôÔ
A cantora não é uma unanimidade por parte da crítica, muitas são as canetas que a definem como um ponto de interrogação, nesse disco a própria parece estar andando a determinada definição, passeia pelo seu bosque musical, com classe de quem está ciente do talento que possui, ao longo do percurso enxergamos alegria e lágrimas. Difícil não ser encantado com a verdade cantada.
10° Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade
Tudo que a Marisa for cantar terão ouvidos que certamente pararão para escutar, apesar de não ser um trabalho genial, esse seu novo álbum segue uma linha que pode ser chamado do mais do mesmo em sua carreira, porém com o hiato de cinco anos, sua voz doce faz lembrar que mesmo parecida com outrora, suas músicas ainda manifestam um bem incrível e conseguem ser mais interessante do que muita coisa que está rolando hoje em dia.
09° Lenine – Chão
Lenine é um cientista da música popular. Sem o uso de bateria e com a inserção de alguns artifícios musicais nada convencionais, como o toque de um coração, o cantor pernambucano carrega seu ouvinte numa outra dimensão.
08° Gui Amabis – Memórias Luso Africanas
Produtor musical da cena alternativa de São Paulo chamou artistas do calibre de CrioloTulipa RuizCéu e Lucas Santana para fazer um registro musical e quase antropológico sobre as nossas origens portuguesas e africanas, regado de muito afrobeat. 
07° China – Moto Contínuo
Um álbum bem feitinho que esbanja despreocupação e em nenhum momento tenta ser mais do que é. Além de notarmos ao longo das faixas a queda do suor que o artista deve ter derramado para gerar vida a obra. A intensidade da voz cantada está nos versos, na afinação dos instrumentos. 
06° Filipe Catto Fôlego
A princípio ao ouvir as faixas de Fôlego terá a certeza que se trata de uma cantora com o timbre de voz forte, parecido com a Gal Costa ou Maria Bethânia, mas não se engane, pois a potência musical vem de um gaucho que através do seu canto emociona seu ouvinte, declarando seus amores, seja com suas canções autorais ou as interpretações de clássicos da musica popular brasileira. 
05° Rodrigo Ogi – Crônicas da Cidade Cinza
Sem dúvidas esse foi o ano do rap nacional e ao vermos essa empreitada no futuro, teremos a certeza que esse momento tratou-se de um ponto crucial. Ogi faz parte da nova safra do gênero, conseguiu retratar por meio do seu álbum todas as peças do quebra cabeça chamado São Paulo. Um disco para ser lembrado nos próximos anos.
04° The Do – Both Ways Open Jaws
O único álbum internacional presente na lista, para ser franco esse foi um ano no qual posso dizer que noventa e cinco por cento do que eu ouvi era música brasileira, no entanto, a magnitude de Both Ways Open Jaws, desse grupo metade Frances e Finlandês,  foi capaz de subverter meus passos e ter me levado a outro universo.
03° Bárbara Eugênia – Journal de Band
No momento que ouvi esse álbum me encantei com a voz delicada de Bárbara. Nesse seu primeiro trabalho solo as suas canções mostram sua ousadia e inquietude em não fazer parte de um rótulo. Uma afilhada do Cidadão Instigado, com essa referência já vemos sua ousadia.
02° Criolo – Nó na Orelha
Criolo ao lançar esse álbum deixou de ser apenas um rapper para se tornar um cantor importante dentro da história da música popular brasileira. Apesar de existir uma indústria cultural tentando gerenciar seu novo percurso, o artista do Grajaú fez uma obra prima que certamente estará na lista de muitas pessoas ao encerrar esse século, como um dos trabalhos fundamentais para a música brasileira.
01° Leo Cavalcanti – Religar  
Se a música é a companheira de sua vida, as canções de Religar foram as mais precisas, que diversas vezes tocaram a alma, primordiais durante o ano inteiro. Esse álbum, propriamente é do ano de 2010, precisamente de dezembro, porém nenhum disco tocou mais no meu ouvido que não esse. Além de esteticamente ser uma grandiosidade, que o artista consegue interligar  numa canção, vários pontos da existência  de um individuo. 

A bola é minha

O Santos perdeu de uma forma vexatória para o Barcelona na final do mundial interclubes, em, todavia o time santista já havia perdido antes mesmo do apito inicial do juiz, os sintomas de uma possível derrota surgiu na escalação de sua equipe, optando por um esquema tático, do qual nunca havia experimentado antes., evidenciando o tamanho do  medo por enfrentar uma equipe dita pela maioria como coisa de outro mundo.
E, apesar do brilhantismo mostrado pela equipe catalã, compartilho com a mesma opinião de outrora e sigo novamente na contra mão em não idolatrar uma equipe de seres humanos mortais, passíveis de erros e acertos, no entanto, sei que contra fatos não há argumentos, a competência do Barcelona é evidente.
Porém o que chama atenção, a minha em especial, não são os números obtidos, mas os fatores que cercam as entrelinhas, nesse quesito sou um admirador assíduo dessa equipe, por serem tão comprometidos e deixarem de lado a vaidade e respeitarem a verdadeira protagonista do futebol que é a bola.
Apesar de serem famosos e donos de salários milionários, não deixam de ser proletariados do futebol, trabalhadores que levam a profissão a sério, outro dia ouvi numa rádio esportiva que a equipe no dia de uma partida em sua cidade não deixa de treinar e pós-treino são liberados para almoçarem com suas famílias, com o horário estipulado para retornarem próximo ao horário da partida oficial.
São assuntos assim esquecidos pela a maioria das pautas esportivas que estimulam o meu interesse, além do consolidado trabalho de base – em revelar jogadores, sem falar no senso de competitividade que encontramos na face de cada jogador e por que não dizer da concentração coletiva, que através dela vemos a aplicação tática demonstrada nos jogos.
Entretanto, vou parecer contraditório agora, quando tamanha jóia é valorizada de uma forma suspeita, visando bens invisíveis e ao mesmo tempo procura distanciá-la a colocando em um pedestal longínquo de nossos passos, acabo não conseguido enxergar beneficio algum. Em outras palavras é gozar com o pau do outro. A nossa imprensa causa isso em seus receptores, a sua maioria. 
A equipe catalã é formidável, no entanto esta longe de ser coisa de outro mundo, até porque quando se tem um objetivo há frente, virão inúmeras derrotas para enfim conseguir alcançar vitórias, argumento parecido, exposto por Neymar pós derrota, que a nossa porca impressa não chegou a divulgar nem no rodapé de suas veiculações. Visando somente as palavras que vende: “Nós da equipe do Santos, hoje aprendemos a como jogar futebol” quando na verdade essa frase faz parte de um contexto apagado pelos porcos da notícia.  
Contexto esse, que particularmente foi o melhor momento da decisão, uma fala que para os desprovidos de sensibilidade pode suar como desculpa de perdedor, mas na sua essência diz sobre entender o percurso da vida, que saiu mais ou menos assim de sua boca, segundo Neymar “Nós da equipe do Santos, hoje aprendemos a jogar futebol, no entanto, não devemos desvalorizar a nossa chegada nesse mundial, as nossas vitórias para chegar aqui, porém perdemos, mas indo de encontro a uma entrevista que ouvi do Josep Guardiola, que dizia que para chegar aonde chegou houve inúmeras derrotas. Por isso vamos aprender com essa derrota e fazermos de tudo para voltarmos ano que vem aqui”.
Não foi o poder divino que concedeu ao Barcelona a sua maneira de jogar, foi através de trabalho, derrotas e continuísmo ideológico que fizeram a equipe ser a número 1 do mundo. Se houver disposição, força coletiva e objetivo, outras equipes podem ser a equipe catalã, não só restringindo no campo de futebol, saindo, em nossas profissões se houver a soma de fatores que achamos ser a ideal para fazermos chegar ao nosso objetivo, também podemos ser o Barça. É tudo uma questão de para de achar que o outro pode ser e você não, ficar se exibindo pela qualidade alheia, imune de força para mostrar a mesma qualidade ou supera – lá.
O próprio Guardiola na sua entrevista coletiva disse que só tentou fazer o que o nosso futebol brasileiro sempre fez. Por minhas palavras é tratar a bola bem.

No final das contas, a imprensa te conta mentiras, é você acredita e repassa pra frente

Normalmente quem defende a idéia de que a equipe do Barcelona esteja anos a frente da equipe do Santos nunca assistiu um jogo sequer do clube catalão, na verdade sua opinião vem pautada diretamente pela esquizofrenia da nossa impressa jornalística, que segue insistindo nesse eufemismo estrangeiro de valorizar o que é do outro e desvalorizar o que é nosso, simples assim. O diagnóstico é esse, sem erro de errar. No entanto, é evidente que a superioridade do Barcelona existe, porém para deixar claro novamente, não com essa escala gigantesca que os veículos insistem em jogar a nossa goela abaixo, o seu status de melhor time do mundo emerge em conquistas realizadas e no entrosamento que está consolidado há diversas temporadas.  
Se fossemos exemplificar os jogadores, do lado catalão encontramos o segundo melhor jogador de futebol do mundo, Lionel Messi, que mostra com seus dribles o seu refinamento para desequilibrar uma partida, além de reunir em sua particularidade, talento e objetividade necessária para ser o protagonista de seu clube, além da grande estrela, existem jogadores que são excelentes coadjuvantes, Iniesta, Xavi, Villa, Pedro e Daniel Alves, além do badalado Frábegas na reserva, estão longe de serem bichos papões do futebol, ou seja, monstros sagrados do esporte que serão eternizados por suas individualidades, no entanto, o grupo usufruí bem do já citado entrosamento, que é o grande segredo desse sucesso, em outras palavras, coloque mão de obra parecida com a que tem atualmente no clube espanhol e adicione temporadas jogadas juntas e terá esse Barcelona.
Portanto, é claro que uma parte da imprensa através de seus comentários e suas escritas poderiam ser confundidos com dramaturgos, por criarem enormes melodramas em relação a esse possível confronto entre a equipe espanhola e a brasileira. Já do lado santista, vemos um time que mostra jogadores igualmente competentes em suas funções coadjuvantes, como Arouca (um injustiçado por não ser o volante titular da seleção brasileira), Danilo, Elano, Borges (Outro que deveria ganhar uma chance na seleção e usar o entrosamento com o Neymar ao nosso favor) e guardada as incríveis proporções Henrique mostra-se conciso e trabalha bem em coletivo, em compensação a velha zaga praiana mostra insegurança, logo dificuldade é pode ser um ponto para perder o titulo.
Com tudo, há dois jogadores essenciais e diferenciais que podem ser a arma para o êxito da vitoria santista, o primeiro: Paulo Henrique Ganso que aos poucos vem conquistado há velha segurança e mostra através de sua concentração uma visão de jogo soberba, além de sua técnica unido de tranqüilidade, um jogador diferenciado, daqueles meio campistas que evidentemente estão em escassez no futebol mundial. É para finalizar, o melhor jogador do mundo atua no clube santista, Neymar, com pouca idade, já escreveu seu nome entre os melhores do futebol, mostrando uma diversidade impressionante, junto a mesma objetividade de Messi, que do lado brasileiro está recheado de segurança, diferente do argentino que em algumas partidas desaparece.  Se fossemos se apegar a esse detalhe, ao de jogadores que podem fazer a diferença, Santos está ganhando por dois a um. Não tenho dúvidas, o craque brasileiro por meio de sua genialidade vai fazer o mundo inteiro testemunhar a sua arte e dar a resposta merecida a FIFA, por ter fechado os olhos e não tê-lo elegido entre os três melhores do mundo.
Quando o Santos ganhar do Barcelona, o quadro vai se inverter, a mesma imprensa que glorifica o time de estrelas espanhol estará no seu computador, rádio e televisão glorificando os meninos da vila. 

Eu viveria pra sempre numa tarde de sol

Às vezes não precisamos de tanto, abrir a janela e ser iluminado pelo sorriso do céu basta numa tarde de sol. Paralisar o pensamento, ouvir o nada surgir tendo em vista o sol batendo em você a quilômetros de distância do mundo, gratifica a existência, resplandece a situação. Talvez a minha escrita contenha um sentimento intimista de saber o meu tamanho no universo que habito. Em suma, acaba sendo uma questão de tentar ser amigo do tempo, de vezes não ligar para o tédio que tenta, muitas vezes bate, rebate nos meus passos solitários de uma semana tranqüila. Um ciclo se fecha e outro se abre. Um produto é desfeito e outro é comprado. Mas, poucos entendem a beleza de uma tarde de sol. Do dia que se encerra, da madrugada que aguarda a sua vez, horas antes, enquanto a arquitetura tentava ser onipresente nas nossas vidas, na claridade de uma praça escondida sorrisos inocentes eram dados. Não saiu nos jornais. Nem eu mesmo vi. Muitas também não viram, mas também não me escondi e uma janela que se esconde do sol não pode ser levada a sério, não há ar condicionado que tire o brilho de uma segunda feira ensolarada gritando sobre nós. Agora, imagine durante as horas presas na sua janela de concreto, quantos sentimentos ao ar livre não foram anunciadas. E você, julgando ser interessante por saber qual será a sua próxima aquisição desliga o cérebro para isso. Quem está indiferente aos recursos naturais também não pode ser levado a sério, a preferência  é ouvir o barulho do código de barra sendo lido. Eu não, poderia viver pra sempre numa tarde de sol.

Qual é a moral da história?

Tenho um visinho que pensa em sexo 19 horas por dia.
Não bastando o ocorrido, outra vez no pronto socorro, na primeira hora do dia foi avisado pelo medico que estava sobre suspeita de anemia. Cabra porreta, esse meu visinho, não é mesmo, entristece e vezes esquece do próprio paladar e o mau trato de sua mão ao nós cumprimentar, entrega que és um soldado de prontidão, pronto para estar em jejum se precisar. 
Vigia dos decotes alheios. Sobrevivente das madrugadas recentes. Um legítimo sacana aposentado.
Por meio do seu mérito trabalhado já conheceu o alfabeto inteiro, vejam que até com a letra y, a assanhada adotada pelo nosso idioma, o cretino teve já seus gracejos.
Nelson Rodrigues, que nada, um sacerdote comparado ao meu visinho anônimo.
Feito aqueles defensores que assistimos nos filmes hollywoodianos, reverto a breve prosa e digo antes da sua leitura vulgar e moralista a inocência do meu visinho, argumento como defesa, que a sua sacanagem se restringe à privada, portanto, cada um que limpe a sua.
Antes mesmo de classificarem a tiração de sarro como bullying, os produtos vendidos relacionados ao tema não passavam de pó enquanto o meu visinho sentia o peso de suas orelhas achatadas e sua ausência de fala, em pleno ambiente ditatorial em que o sexo cedeu espaço para o medo e a sacanagem ficou escondida na gaveta, aguardando a liberdade abri-la.
Labuta amigo, em dias difíceis meu visinho não atravessou a rua, permaneceu na mesma calçada, alcançado dias cibernéticos. Dias, que segundo o próprio são vazios e responsáveis por aflorar a sacanagem de outrora contida. Relaxa meu visinho, amigo, batalhe pelo seu orgasmo de cada dia, esqueça do passado, do presente tardio e futuro distante e morra ereto, feito um vigilante que tu és.

Inquietos, 2011, EUA – A Pele que Habito, 2011, Espanha

“O que os filmes “Inquietos” e “A pele que habito” tem em comum? Há não ser pelo fato que assisti ambos no mesmo dia. Aparentemente não são produções que demonstram semelhanças, no entanto, se formos aos bastidores da questão encontraremos a competência de seus diretores, tanto Gus Vant Sant quanto Pedro Almodóvar são criadores de um cinema que mostra em sua gênese a qualidade, o que conseqüentemente instiga o seu público. Duas histórias que certamente não sairão da minha mente por muito tempo.
Se Inquietos utiliza-se do silêncio ao seu favor, A pele que habito grita em nossos ouvidos quase que a película inteira, como se quisesse nos acordar de um sono profundo. Porém, ambos penetram nossos interiores com questões a se pensar pós seção, seja as nuances que beiram ao magistral de uma simples troca de olhares do filme de Gus ou os momentos de tensão da história de Almodóvar, digna a salvas de palmas, que se estivesse vido o mestre do suspense Hitchcock certamente daria ao seu colega de profissão. Observando rapidamente, uma obra ensina para não se perder tempo, que cada hora vivida pode ser preciosa em nossas vidas e a outra coloca em cheque a importância real da nossa estética, da nossa sexualidade, se somos assim porque temos a nossa imagem ou indefere, se fossemos quem não somos o que nos guiaria? Séria a nossa alma? Eu sei, você já viu ou leu esses temas em outros lugares, publicações e etc, entretanto, permita-se, ser levado a essas duas histórias singulares e marcantes. Sua mente vai agradecer.
Costumo dizer que quando uma manifestação artística é generosa e ensina o seu espectador, nesse caso o cinema, as imagens que são transmitidas já dizem por si só, não vai haver palavra suficiente que irá aproximar da magnitude vista. Com os recursos técnicos impecáveis, universos que tiram o espectador da cadeira e literalmente o teletransporta, trilhas sonoras, oras cativante, oras densa e que estão amarradas perfeitamente com a excelência das cenas, as duas produções precisam ser vistas e celebradas. Também vale ressaltar as atuações soberbas de Mia Wasikowska como Anabel em Inquietos e Antonio Banderas como Richard Ledgard em a Pele que habito. Do mais, é só ir ao cinema e garantir a experiência.