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Às vezes me pergunto, vivemos em dia onde pedimos mais do que fazemos, temos expectativa, mas não sabemos por que a mesma foi gerada. Travo esse embate com o meu âmbito pessoal, digo essas coisas, por achar o mundo chato demais. Tanta gente falando sem parar e ninguém ouve nada. As leituras ocorrem de acordo com a dita influência. A influência capaz de fazer seu amigo compartilhar e através de um curtir o reflexo da idéia do outro se concretiza, então, existe a abdicação da mente e a inércia mais uma vez é seguida.

E isso, costuma ocorrer em diversas esferas, não seria diferente no mundo cinematográfico, não é mesmo? A crítica diz que o novo filme do cineasta Ridley Scott é ruim, então o público se condiciona ao mesmo sentimento. Antes de tudo, acompanho o trabalho do crítico de cinema e acho que dentre uma categoria, poucos são relevantes, já que encontramos muito ressentimento e preconceitos bobos em muitas posições que no final das contas, se posiciona como á analise da obra. Alias, pode até ser uma idéia arcaica, mas no balanço final, o que tem mais prestígio e o que detém a sensibilidade capaz de mudar uma vida, nesse caso o próprio cineasta, o objeto da analise, sem o mesmo não existe o exercício de observar. Então, é preciso tomar o cuidado para os apontamentos ou se prender na previsibilidade do maniqueísmo, resulta em pura preguiça ou comodismo.

Nada se fecha no bom ou ruim, as coisas estão além dessas nomenclaturas, às entrelinhas é necessária, as coisas estão em andamento, se transformando a cada hora, portanto, requer uma sensibilidade aguçada para desbravar em cima da criação dos outros, mesmo que signifique que esse outro nunca verá a sua visão sobre o seu trabalho.

Prometheus

Prometheus, obra de Scott, se encaixa nessa questão, produção que está no imaginário de muitos há bastante tempo, já que o mesmo anunciou a algum tempo que voltaria ao gênero que lhe trouxe a fama, a ficção cientifica. Já viu não é? A expectativa é a mãe da ….

O universo é o mesmo que da sua obra Alien, já a história é diferente, dessa vez, a criação do ser humano é o estopim do roteiro e a magia do gênero ocorre, com a velha textura habitual nos personagens nesse tipo de produção. Tecnicamente impecável, uma ausência de ritmo no seu inicio, porém manobra certa que prepara o terreno para algo grandioso que pode chegar a qualquer momento. E chega, alcança as vistas de quem sentou na cadeira do cinema esperando o novo filme de Scott e não uma ampliação de sua obra mais conhecida.

Todos os clichês dos filmes assim estão presentes na fita, só que ao contrário de qualquer mané da esquina, o diretor em questão sabe como trabalhá-los e mesmo não aprofundando os personagens, consegue nos levar pra dentro da história, brincando com a gente, mostrando respostas fáceis e desdobramentos mais ainda, com tudo nem tudo é regalia, existe complicação, traz novos questionamentos caracterizando perguntas que possivelmente terão respostas numa provável seqüência.

David

Uma estratégia que lembra os tempos de ouro, quando o seriado Lost estava no ar, uma carga certamente atribuída pro Damon Lindelof (o roteirista ao lado de Jon Spaihts e do próprio diretor), isso por que ele foi um dos responsáveis pelo roteiro do seriado. Então, não é de se estranhar a semelhança.

Com certeza, não estamos falando de uma trama perfeita, entre seus acertos se coloca pequenos erros de percurso, deixando claro, que depende muito do ponto de vista de quem vê. O fato é que funciona, intriga o público e não dá sono. Mesmo quando parte de quem viu coloca em suspeita a verdade sobre uma cena em especial, o momento em que a protagonista Elisabeth Shaw utiliza para fazer seu próprio parto, uma maquina de operações para homem, o que provoca um possível erro de verdade, já que se seguirmos a risca a realidade seria impossível o seu bem estar após a circunstância. Mas o que ninguém pode negar é que esse plano em questão possui uma competência cinematográfica para babar na cadeira, falo por mim, que foi uma das coisas mais agonizantes que já vi nos últimos tempos no cinema. Além de provocar a inquietude da platéia, uma força capaz de fazer o sujeito desconcentrado não mexer um fio do cabelo.

Dentro da produção sobra espaço para questões filosóficas, notamos o quão pouco afundo se vai nelas, em contra partida precisaria haver uma posição da própria trama, de querer aprofundar e seguir num caminho diferente do que propõe o enredo ou ir às vias de fato de verdade, seguindo a risca e cumprido com o objetivo.

Houve também muito falatório sobre a não evolução da protagonista e o excesso de abordagens religiosas, para mim, isso foi bastante tranqüilo e ainda me trouxe a magia das historias antigas, quando, o herói não desiste de sua crença independente do ocorrido. Para alguns a escassez de algo evolutivo, para outros e eu me encaixo nessa, a presença constante do que acredita e difícil de se derrubar.

Outro ponto instigante em citar, é o personagem que o Michael Fassbender fez brilhantemente, cá pra nós, a cada nova interpretação, o ator alemão está registrando sua competência e mostrando que será um dos grandes nomes do cinema. David é um robô, mas talvez esteja na sua figura, toda a dualidade do ser humano, com seu raciocínio lógico e com a sua gratidão guardada em pro do seu criador. O personagem protagoniza os melhores momentos da produção, trazendo por meio dele, a maioria das questões sem respostas. Não é espantoso o seu desenvolvimento final.

Elizabeth Shaw

Chovendo ainda no elenco, a protagonista Naomi Rapace, também merece créditos por sua atuação sensível e forte ao mesmo tempo. O seu personagem veio de frame a frame buscando importância, ouvindo bastante e a todo o momento sem mudar o seu foco, ficando inerente em detrimento dos fatos. Uma construção genial de alguém que poderia suar plastificada, mas que por direito alcançou seu espaço.

No final das contas, é um belo filme e merece ser visto na telinha do cinema, sem filtros de ninguém, aberto para excelentes horas de diversão, sua vista agradece. Podemos dizer milhões de coisas sobre alguém ou algo, mas tudo se revela quando nós mesmos notamos o que se tem na nossa frente.

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