Abraçado de si mesmo, percebeu pelo andar, que as suas roupas compartilhavam o mesmo envelhecimento dos dias passados. Levante a cabeça, arrume as costas, estufe os peitos, interaja, sorriso no rosto, sente saudades da antiga cartilha que lhe ordenavam quando era apenas um menino menor de idade. Sente os cheiros da tarde infinita, outrora seus olhos não percebiam as horas. Ouvindo a música não chega a ser velho, mas se assusta, quer dizer o susto não vem, à palavra certa para isso nem existiu ainda, o que surge diante do impasse é a certeza de não ser o mesmo de ontem. Não renega mais os espelhos, se tornaram apenas um objeto que fica a mostra nos banheiros públicos da cidade. Não briga e nem se obriga há passar o tempo durante o caminho de casa. O livro que começou ontem já está na metade. Não importa a linearidade das coisas, as formas concretizadas, a única manifestação importante é o amor. Precisa manter essa chama. Olhar para o guarda roupa é perceber que aquela camiseta outrora nova já grita as manchas do tempo é triste demais pra expressar. A música continua, as caixinhas de som não pararam, seguem firme soltando ruídos de uma música estrangeira cantada por um brasileiro. Na internet, as coisas são ditas sem o compromisso com a verdade. Daqui a pouco, alguém do outro lado do mundo conquista algo, em seguida alguém a quilômetros de distância perde sua conquista. Entender o infinito requer imaginação e, sobretudo criatividade. Como ritmos sonoros fazem a gente ter coragem de darmos abraços em si mesmos? Não posso negar que dentro de mim existe uma enorme contradição, que ferve de acordo com as minhas atitudes. O que estava fazendo nesse mesmo horário e nesse mesmo dia á 11 anos atrás? Poucos entendem o infinito, se torna uma questão de se permitir. Perceber que crescer significa se livrar da cartilha de bons modos não é infinito, é tempo não esperando a gente chegar. O artista de hoje não sobrevive sem um hit novo. Modificaram os charmes de ontem. Conversar na internet há 11 anos parecia motivação e descobrimento, hoje é um jogo de vaidade. O telefone antes era passatempo, hoje é compromisso. Ficar sem o que fazer a tarde era infância, hoje é coisa de vagabundo. Não ter a certeza que a atualidade se enquadra em você é um problema, com tudo, sempre haverá um novo filme para lhe renovar. Uma nova música para fazer você andar á deriva. Os muros pixados acompanham o seu crescimento, as paisagens gritam enquanto está amassado dentro de um vagão. As coisas estáticas percebem conquistas e perdas. A música não para e não tem culpa da sua não mais nova calça pós-lavagem se tornar antiquada. O artista de hoje não precisa de gravadoras. O charme de ontem às vezes volta não sendo charmoso, mas, eficiente. Os interesses se mudaram, foram parar em outra cabeça, aquele interesse do velho veio parar na nossa cabeça e o nosso interesse foi parar na cabeça adolescente. Sentir saudades da rua augusta não é mais a sua sina. Recordar do que não passou chega a ser estimulante. Habitar corredores desconhecidos sem as cicatrizes do passado chega a ser possível. Já está na hora da gente acordar, chegaram os dias de sentirmos outras sensações. Aquele livro empoeirado pode ser visto agora pelos olhos da gente. Lire ce livre avant le coucher peut être possible. Ce paysage finement que vous rencontrez. La marche semble être approprié pour vous. La linéarité est fondamentale. Nous allons visiter ces lignes plus loin, il semble être nostalgique, mais tout droit, tourner à gauche, devient l’évolution. Um amigo, uma vez me disse que o tempo resulta sempre os melhores finais.

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