Às vezes não precisamos de tanto, abrir a janela e ser iluminado pelo sorriso do céu basta numa tarde de sol. Paralisar o pensamento, ouvir o nada surgir tendo em vista o sol batendo em você a quilômetros de distância do mundo, gratifica a existência, resplandece a situação. Talvez a minha escrita contenha um sentimento intimista de saber o meu tamanho no universo que habito. Em suma, acaba sendo uma questão de tentar ser amigo do tempo, de vezes não ligar para o tédio que tenta, muitas vezes bate, rebate nos meus passos solitários de uma semana tranqüila. Um ciclo se fecha e outro se abre. Um produto é desfeito e outro é comprado. Mas, poucos entendem a beleza de uma tarde de sol. Do dia que se encerra, da madrugada que aguarda a sua vez, horas antes, enquanto a arquitetura tentava ser onipresente nas nossas vidas, na claridade de uma praça escondida sorrisos inocentes eram dados. Não saiu nos jornais. Nem eu mesmo vi. Muitas também não viram, mas também não me escondi e uma janela que se esconde do sol não pode ser levada a sério, não há ar condicionado que tire o brilho de uma segunda feira ensolarada gritando sobre nós. Agora, imagine durante as horas presas na sua janela de concreto, quantos sentimentos ao ar livre não foram anunciadas. E você, julgando ser interessante por saber qual será a sua próxima aquisição desliga o cérebro para isso. Quem está indiferente aos recursos naturais também não pode ser levado a sério, a preferência  é ouvir o barulho do código de barra sendo lido. Eu não, poderia viver pra sempre numa tarde de sol.
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