Produção Inglesa, de 2010. Roteiro e direção: Jordan Scott. Com: Eva Green, Juno Temple, María Valverde e Imogen Poots.
Quando esquecemos por alguns segundos a tradução brasileira e nos concentramos ao título original da nova produção da cineasta Jordan Scott, conseguimos encontrar mais sentido na história vista. Adaptada do romance da escritora africana Sheila Kohler’s, que leva o mesmo nome do longa metragem, Cracks, definitivamente é um retrato da feminilidade duramente oprimida, que se racha vagarosamente e se contrapõe aos costumes consagrados.
Em um cenário inglês dos anos 30, notamos um colégio interno feminino distante, preenchido por regras e o conservadorismo ativo da época. Em contra partida de tanta ideia consagrada, encontra-se a professora Mrs G (Eva Green), mostrando ser uma mulher diferente e que procura causar reflexão em suas alunas, exaltando a todo instante a importância do desejo a frente da racionalidade.
De todas suas alunas, a que se destaca é a jovem Di Radfield (Juno Temple), uma garota que encobre suas feições frágeis com atitudes rígidas perante as amigas e que mantém na imagem da professora um modelo próprio para o futuro.  No entanto, o ambiente e a rotina se modificam drasticamente com a chegada da espanhola filha de aristocrata, Fiamma (María Valverde), que guarda dentro de si uma experiência vivida que se mostra ausente nos quatro cantos do internato.
A chegada da espanhola interfere diretamente na estruturação das relações dos personagens e o desdobramento causa o conflito entre as três personagens. Todas com seus demônios, ausências, mágoas e sonhos e que são trabalhados ao decorrer de cada cena. Mostrando que o sentimento de uma pode passar por cima de outra, causando a exposição das rachaduras sendo quebradas ao nosso olhar. Literalmente visceral.
Seja para qual lado o espectador tende a seguir, o difícil é ver a história completa e no final não ter seus minutos de reflexão. É certo, que assuntos vistos e banalizados no telejornal são expostos na trama de uma forma sutil e delicada que dominam as imagens do começo ao fim.
Visto pelo olhar de alguém que não é critico, e sim um cara que assiste filmes, teve como reconhecer a referência de seu pai, o cineasta famoso Ridley Scott, principalmente na forma que foi ambientado a época, porém as semelhanças param por ai, existe um cuidado, uma naturalidade nessa fita que certamente não foi herança paterna, mas uma herança materna, risco a dizer de uma mulher sensível.
Um belo conto sobre o próximo passo, o fim da inocência rumo a novas possibilidades.  
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