Há exatamente um ano, nesse mesmo espaço, escrevia todo o meu descontentamento pela decisão da Warner Bros em dividir a última história do bruxo Harry Potter em duas partes, naquele momento dizia que a primeira parte do filme era muito fraca e cheirava a más intenções, sendo que tamanho egoísmo ocasionou um desconforto na primeira parte da história, que ficou lenta e com uma extensão forçada, com outras palavras encheram lingüiça com o intuito único de aproveitar um pouco mais do lucro da sua galinha dos ovos de ouro.
Passado um tempo, continuo com o mesmo pensamento em relação a primeira parte do final, no entanto com um adendo, também havia previsto a certeza de que a segunda parte faria jus a qualidade construída dos antecessores, ou seja, fabulosa e assim ocorreu. A melhor saga da história do cinema terminou da melhor forma que poderia ter acabado – com um fim maduro e sem possibilidade de um amargo na mente (história).
Deixada de lado as previsões, vamos ao que interessa: a saga em si, foi uma década passada, conseqüentemente uma geração cresceu acompanhando as histórias, no total do saldo: são sete livros e oito filmes, sem falar nos produtos associados a marca que geraram um império.
Literalmente a maior franquia da história do cinema em precedentes, arrecadou mais dinheiro que qualquer outra série: um fenômeno.
Se falarmos da trajetória da série, enxergamos pontos interessantes, principalmente, quando reparamos no continuísmo do elenco. Comum na indústria do showbusiness, a vaidade nunca foi demonstrada por qualquer integrante, seja a relevância que exerce, notamos que a união do grupo é o responsável direto pela coesão do sucesso da franquia.
Embora os demais (os anti-Harry) ainda associem o personagem da escritora J.K. Rowling, como produto infantil, a própria trama desmitificou a bobagem. Se no primeiro, temos a pedra filosofal do diretor Chris Columbus, que remete ao universo fantástico, diretamente voltado para a criançada, acompanhamos os passos seguintes, precisos, uma evolução natural, como a que ocorre com o ser humano. A maioridade se prova, quando notamos o tom sombrio dos filmes no comando do diretor David Yates.
O público de fato cresceu com Daniel Radcliffe e sua trupe, passaram pela infância, viram a pré-adolescência, chegaram à adolescência e como as relíquias da morte pararam na fase adulta. Uma fase sombria. Parado e sem movimento a saga vira história, o publico inicia a fase adulta, como deve ser sem olhar para trás, sem a necessidade de continuísmo eterno, o fim ocorre da forma natural como as coisas devem ser.
Particularmente, como um fã da magia do cinema e o seu poder, não podia ficar inerente a esse fenômeno, sempre gostei e não acho ter sido uma perda de tempo ter assistido aos filmes da saga, pelo contrario, a competência da produção é tão legitima e sem aberturas para erros, que chega a ser um absurdo o levantamento de qualquer suspeita contrária da eficiência do mesmo, principalmente, de quem gosta de produções cuja temática seja parecida como o Senhor dos Anéis, penso cá, que seja pobreza de espírito.
Voltando ao capitulo final em si, a maturidade da narrativa me chamou a atenção. Se houve o erro mercadológico de dividir em duas partes o filme, acertaram em cheio na condução do encerramento.  A história insere elementos espertos que estão em escassez em outros roteiros do mesmo gênero, por exemplo: a delicadeza no tratamento de questões que caberiam e poderiam passar despercebidas por se tratar de um filme fantasioso, como o esgotamento evidente das batalhas e a percepção dos protagonistas em relação a degradação do ambiente em que estão, perceba na maioria dos filmes de guerras e derivados, cabe fantasia  também nesse baú, vide a porcaria que é Piratas do Caribe, que poucos são os momentos em que o personagem consegue tempo para respirar e perceber o que ocorre ao seu redor. Ok, isso é o mínimo e a ausência do recurso não determinaria a ineficiência do mesmo, porém, podendo permanecer na zona de sucesso que está e sem compromisso com a realidade, a produção alcançou um diferencial, saiu do convencional do gênero. Sendo assim a história de Potter não só sai do status de fenômeno para se consolidar como um do melhores filmes da cinematografia mundial, além de ser a maior saga da sétima arte, em diferentes aspectos, financeiro e qualitativo.
Continuando na seriedade da produção, as ações secas, no sentindo de incentivar a racionalidade no espectador, a ausência da banalização da tecnologia, tudo ocorrendo há seu tempo, poucas coisas jogadas ao ar, tirando uma pequena trapalhada, referente ao desfecho do personagem Neville, tirando a pequena falha ou não e ainda depende muito do ponto de vista do receptor, o proveito foi quase cem por cento, não só convenceu como surpreendeu,
O roteiro insere o público no universo de Rugrats, fácil, fácil. Faz você se virar na cadeira pelos acontecimentos passados na tela.
Tenho a necessidade de citar o excelente trabalho dos atores Ralph Fiennes que interpreta o Lord Voldemort e o Alan Sidney que interpreta o Severo Snape, duas figuras importantíssimas, que fizeram o que a Hermione de Ema Watson fez na parte um, roubaram as cenas e conduziram com maestria seus personagens.
O trio principal, Radcliffe, Watson e Weasley foram formidáveis como sempre são. Acompanhar o crescimento físico e profissional deles foi sensacional, poucas gerações conseguirão novamente passar uma década fazendo o mesmo. E sempre é prazeroso acompanhar a atuação da talentosa Helena Boham Carter que interpreta a vilã Belatriz Lestrange. Enfim, todos do elenco, por maior ou menor a relevância dentro da história, reiterando novamente que passar uma década fazendo o mesmo personagem é raridade, talvez nunca mais ocorra na história.
E por fim: o próprio David Yates que inovou, trouxe as suas referências, não teve medo do clichê, fugiu do habitual dos encerramentos e terminou a saga da melhor maneira possível, mostrando a face (rosto) dos responsáveis pelo sucesso da história ao longo da década.
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