Não me ufano, prometo o que hein de relatar há de ser verdade, apesar de não aderir a bobagem da generalização, o grande labirinto místico chamado SP, mostra que isso sucede toda vez que a mocinha do tempo informa que uma frente fria se aproxima da gente. Calma lá meu irmão, antes de desistir da leitura, te peço, um instante, para a devida apresentação do meu desafeto. Meninada, idoso, moça bem vestida, garoto afeminado, ora, até mesmo cabra macha sim senhor – está usando o maldito cachecol, aquele acessório que nossa mãe gritava da janela pra gente usar toda vez que a temperatura caia.
O grande q da questão é a transformação que o objeto ocasionou na gente – o coloque é mude de personalidade- tão certa quanto a garantia da massagem no ego por usar um simples pano cobrindo o pescoço. Ha, descarado foi o homem que o inventou, hein de encontrá-lo e cobri-lo de porrada, não costumo usar o corpo antes da mente, mas dessa vez esqueço que penso e viro gorila, só para retribuir de alguma forma o olhar de repudio da madame que o usava no metrô. Outra coisa que fico sem entender, por mais frio que esteja, há de concordarmos que a super lotação na condução, por si só já o afasta, então, para que continuar a incoerência e usá-lo dentro do vagão? Tire isso rapaz, guarde na bolsinha mocinha, o calor humano acontece nos aquece!
Sem falar, nos escritórios regados a modernidade do ar condicionado, que também regula a temperatura a seu direito, mostrando para gente que não há necessidade de continuarmos com o tal pano no pescoço, mas mesmo assim, é mesmo assim …..
Mal humorado eu? Nem tanto, posso enumerar as diversas inconveniências que passei por conta do cachecol, se relar sem querer em um já se torna motivo mais que suficiente para o assassinato mental. Aquele que não se faz, nem se diz, mas pensa. Testei uma vez, observar, podia ser qualquer ambiente, que dividia com o desafeto. Provei meu pensamento, conclusão: a situação fugia da normalidade sempre quando o maldito aparência com sua graça, o protagonista da discórdia, pensei eu toda vez que a coisa ficava preta. Tire suas garras do pescoço daquela garota, que me encara porque vê no meu olho o desgosto pelo mo – delito dela todo elaboradinho naquele pescocinho, mostrando pra fora a arrogância de dentro.
No metrô, na livraria, na escola, na academia (pra que alguém vai de cachecol na academia?), são muitos os lugares onde essa epidemia contamina a socialização entre as pessoas, quem o usa não carece de conversas vazias e divertidas. Até mesmo, no elevador, palco do bate papo sobre o tempo ficou em silêncio quando avistou o maldito, parece que as palavras desistem de descer e o nada decora a descida.
O bichano do pescoço revela ao ser humano algo que ele não é. Vaidade pura minha gente. O mundo se distorceu após sua chegada, as calçadas ao lado das ruas sujas pelos carros, viraram desfile do São Paulo Fashion Week, além da Faria Lima ter virado Times Square, conseguem entender a qual ponto chegamos?
Proponho fazer uma circular, parar no orelhão e descolar o telefone de algum prostituto federal, ligar e convencê-lo a criar uma liminar que proíba o uso do cachecol.
Desse modo, poderemos viver numa sociedade melhor, menos frescurenta e quem sabe, voltar a regalia de embarcar num elevador e ser deparado com a pergunta, você viu? O tempo esfriou. E o frio? Como faz? Há minha gente ele é psicológico. Vaidade pura!
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