Poucos conhecem a história cinematográfica do goleiro Rogério Ceni. E acho que por essa razão exista um movimento injusto e leviano que defende o rótulo dele ser um jogador mascarado.
O fato que a própria história do goleiro mostra ser diferenciada. No inicio da carreia, contrariando diretamente a maioria dos jogadores, Ceni demonstrava ter equilíbrio suficiente para tentar e conseguir o sucesso em outra atividade profissional para sobreviver. Empregado de um banco teve que escolher entre a vida bancaria ou a futebolística, sorte para quem admira a verdadeira arte do futebol.
Vindo de origem humilde, do desconhecido Sinop, havia conseguido surgir no cenário paulistano, de repente havia trocado o Mato Grosso do Sul pela terra da garoa em 1990, se tornara o terceiro goleiro do São Paulo. Literalmente, passou pelo desdobramento comum de qualquer roteiro cinematográfico.
Sem moradia fixa, a forma encontrada era morar no próprio CET do clube, época que conheceu sua esposa Sandra, no qual tinha que pular os portões do clube para visitá-la. A única forma encontrada para fugir da marcação cerrada da diretoria. O momento de superação encontrado em qualquer roteiro cinematográfico.
Por uma ocasião do destino, um acontecimento fatídico foi responsável direto pelo começo da trajetória brilhante do atleta, em 1992, pouco se sábia do nome de Ceni até então e consequentemente as chances de jogar eram impossíveis, foi através de um acidente automobilístico sofrido pelo segundo goleiro em questão – Alexandre (que infelizmente rendeu a sua morte) que tornou o reserva de Zetti, onde esteve no elenco campeão do mundial interclubes do mesmo ano. O instrumento do destino como divisor de águas, não preciso nem dizer que isso é comum em histórias de Hollywood.
Depois da saída de Zetti, tornou-se o goleiro titular, em 1997 fez o seu primeiro gol de em uma cobrança de falta.
Entre altas e baixas, ganhou títulos, bateu recordes e se consagrava como um dos maiores cobradores de falta do país. Começou a colecionar desafetos, por ter na essência uma maneira singular de lidar com o sincronizado jornalismo esportivo. Para os tolos era sinônimo de arrogância, para os grandes era exemplo de profissional.
Pode-se dizer que faz parte de um seleto grupo, no qual ele e o também goleiro Marcos são considerados espécies raras no momento- beirando a extinção – ou seja, os jogadores que amam o clube no qual jogam, os chamados vestem a camisa.
Ontem, numa tarde de domingo, dia 27, o goleiro marcou história fazendo o seu centésimo Gol, equivalente a de Edson Arantes do Nascimento (o Pelé), quando marcou seu milésimo gol em 1969. Proporções guardadas a parte, a marca de ontem, é tão heróica quanta a do melhor jogador da história do futebol.
No currículo de Ceni foram 55 gols de cobrança de falta, 1 de bola rolando e 44 de pênaltis. Um fenômeno, ele é um caso que não veremos novamente, que possivelmente nossos filhos e netos só leram nos livros.
Aos tolos, para não colocar imbecis (sendo gentil) finalizo colocando para se renderem ao talento do atleta, que sempre foi exemplo profissional, enquanto os milhares de nomes que passaram no clube do Morumbi iam embora ao termino do treino, o goleiro ficava, sem reclamar da hora extra, buscava as suas 10 mil horas (exemplo) de qualificação para um dia chegar ao topo, é chegou, um epilogo brilhante o atingiu, como no cinema. Viva o Rogério Ceni! Palavras de um cara que antes de ser palmeirense, admira a arte chamada futebol. 
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