Caricatura de Natan

Confesso, agi de uma maneira agressiva quando o Ministério da Cultura autorizou Maria Bethânia de buscarem o incentivo financeiro de um 1, 3 milhão para a criação de um blog de poesia, no entanto, após ler o que o seu irmão Caetano Veloso escreveu no Jornal Globo (27), sobre o que acha sobre do burburinho, notei e fui atingido por uma repentina mudança atmosférica, consegui, o controle dos meus pensamentos, não mudei de opinião, mas atingi o senso democrático, que é direto: a melhor representação de todas as representações do exercício das idéias.
Não subestime o poder de persuasão de Cae, essa não séria a definição mais apropriada para classificar a mudança certeira que ocorreu, mas, o artista sabe escrever como ninguém, suas palavras são agradáveis de ler, antes, quando era um total desconhecedor da sua obra musical, falava pelos quatro cantos que achava que o melhor em Veloso era a sua persona, fechava os olhos para a música. Errei, o tempo me disse. No entanto, o foda é que Caetano não dá descanso, ele aparece a todo o momento, por isso não tem tempo de ser Chico ou João Gilberto. Ele é um trabalhador incessante, que cultiva o vanguardismo em suas veias. Que, diga-se de passagem, o seu Ao Vivo pela MTV do qual o mesmo gritou durante um VMB lembrado até hoje por esse momento, é uma jóia impactante. Ele não precisava gravar um disco ao vivo na altura do campeonato, sua poltrona o aguarda na Bahia, mas não, dessa vez não, com a licença das palavras do rapper Emicida, o artista baiano, que na verdade é poliglota, quis aparecer na semana passada para defender a sua Irma. Vlido.
Em suma disse que outros artistas nacionalmente famosos ou indigentes (desconhecidos) são autorizados por uma quantia ainda maior que o da sua Irma é o povo sendo representado erroneamente pela mídia tradicional, com a ajuda do tsunami dos internautas não falam nada, se cegam diante de tal informação, que nem divulgada é. Na outra parte de seu escrito, particularmente o mais brilhante, disse que o jornalismo feito pela Revista Veja e pela Folha de São Paulo, são realizações de fígado, ou seja, qualquer difusão deste é de grande repercussão, representação essa que é feita a qualquer custo. Terminou dizendo que a mídia tem medo do potencial da Bahia e que os jornalistas deveriam sentir na pele o efeito de suas leviandades.
Porque fui atingido pela excelente ação de procurar aceitar a opinião contraria? Simples, o cantor foi excelente a relatar que a imprensa, pelo seu modo apocalíptico de procurar de forma irracional a repercussão de uma notícia, gerou a dicotomia e ainda acirrou os ânimos.
Concordo contigo Caetano, quando diz que o Ministério Público deveria punir opinião ameaçadora de internauta frustrado e que corre atrás dos seus 15 minutos de fama. Porém, apesar de suas palavras benéficas continuo achando essa história de blog um tanto embaraçosa, leviana e desnecessária.
Mas também sei que a mídia é egoísta, principalmente os velhos e ainda dominantes de quase sempre, que botam no rabo da gente e não nos ajuda em nada, pouco pensam na questão social. Há como eu queria que todos os meios impressos fossem interessantes como a revista Caros Amigos, que tem a regalia de estampar Tom Zé em sua capa. Com tudo, acho que o jornalismo de fígado é o que vende mais, que mais engana e  gera confusão, mas por outro lado, garante a sobremesa dos “comunicadores de bens”.
A pessoa, o artista, a lenda: sempre vai ter vez comigo, por ser o ativista da cultura atual, parceiro de bandas novas que escuto e  foge do discurso démodé de que o antigo é mais legal, não, o novo tem a sua relevância. O novo sou eu também, Caetano fala isso. Além de ser uma personalidade que não se cala, tem opinião, mostra, mesmo que essa contrarie a realidade, ele é claro e argumenta – vocês (mídia) não vão me calar!
Na véspera do aniversário de Salvador, parabenizo a cidade e o seu conterrâneo ilustre, por ambos trazerem a autenticidade como ala de frente.
  
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