Dia 08 de março, exatamente 20h45min.  A apuração do melhor desfile de São Paulo já ocorreu no Anhembi, por uma diferença de 25% do segundo lugar a Vai Vai se concretizou a campeã de 2011. Nada que abale o animo desse – ainda- recém folião do sambódromo.  Que desfilou pela primeira vez pela escola Mancha Verde.
Nesse exato momento que escrevo: no calendário anual já se pode contar o fim desse feriado de carnaval, porém, retomo ao pensamento para o inicio dele, que se deu na sexta feira, dia 04 de março, foi quando ao sair do trabalho, as 18h00 min., estava a menos de nove horas da minha estréia na avenida.
Peguei uma condução lotada em pleno horário de pico e para piorar: na véspera de um feriado, cheguei atrasado a casa da minha mina, comi o mínimo. Pronto, estávamos a caminho da concentração da quadra.  Ao pegar o metrô, os dois (eu e minha mina) segurando as fantasias numa “sacolona branca” chamava a atenção dos passageiros. Chegando na barra funda, pegamos a lotação rumo a quadra, se aproximando do destino, vendo o grande movimento nas proximidades, pouco a pouco, conseguia ter uma previa do que viria a sentir mais tarde. Muita gente fantasiada. O carnaval já havia começado.
Coloquei a minha fantasia. Com todos integrantes da ala prontos, juntos, por meio do ônibus alugado pela escola de samba, fomos em direção ao sambódromo. O frio na barriga ainda tímido hesitava em aparecer. Já no Anhembi, vemos no esquenta (área prévia do desfile) os integrantes da Tom Maior, que seria a segunda escola a desfilar, portanto, a espera seria intensa, já que seriamos a quarta escola a entrar.
Sem relógio e refém da visão: para ver qual escola entraria no esquenta. Alguns integrantes da ala improvisavam sacos de lixos abandonados para servir como almofada para sentar. Por minutos, tivemos um excelente entretenimento: a bateria da Escola de samba – Rosas de Ouro – ensaiava ao nosso lado antes do seu desfile. Vou dizer: testemunhar o barulho da bateria é instigante, vibrante, faltam adjetivos a tamanha força e energia juntas num mesmo ambiente.
Entretanto, a emoção durou minutos e o marasmo da espera foi contaminando a todos. Meus olhos não mentiam, o que mais queria na hora era a minha cama. Com um baita sono, toda alegria adormecia com as minhas pálpebras. Num cantinho improvisado, do lado da minha mina dormia alguns segundinhos.
De repente e de repente mesmo, ouvia uma movimentação, integrantes da harmonia nos chamavam para entrar no esquenta. A minha ala diretamente organizada em filas estava pronta. Bem posicionado na segunda fileira, era só esperar um instatinho para o inicio, porém, um problema ainda ocorria – não conseguia vencer o sono, parados – a escola toda posicionada, me deparava com os olhos fechados dormindo em pé… O dilema persistiu, até o interprete do samba enredo, gritar “O coro vai comer, deixando a deixa pro restante da escola finalizar – dizendo “É o bicho vai pegar.
Meu coração bateu a mil, não tinha mais jeito, cinco meses se preparando para esse momento e estava ali diante dos meus olhos se concretizando. Estava nervoso, pensando se por ventura eu errar isso ou aquilo. Mas, não, quando o barulho da sirene despertava e os nossos ouvidos escutavam – era o início do desfile da Mancha Verde. Uma emoção difícil de descrever emergia no meu corpo, a letra do enredo que timidamente saia da minha boca ao decorrer do processo dos ensaios, em questão de segundos, saia com proeza e entusiasmo. Gritava, dançava, fazia a coreografia certa, olhava pra minha mina, a cada passo, estava mais perto da avenida e assim foi, quando passei pelos portões, vi um mar de gente, com o perdão do clichê, mas é esse o sentimento verdadeiro – estar diante de muita gente, e não ter a noção do que está ocorrendo. Arquibancada lotada, espaços vips lotados, o chão lotado, com imprensa, componentes de outras escolas. Enfim, estreava no carnaval, é estava achando lindo.
O melhor espetáculo cultural que já presenciei, sem dúvidas, uma das melhores coisas que já senti. Durante algum tempo me entusiasmei pela musica eletrônica, em especial o Drum “N” bass , depois pelo Rock N Roll, Musica Francesa, enfim, shows que já estive presente, como do Radiohead, Los Hermanos, The Prodigy e Moveis Coloniais de Acaju, muitos foram os gêneros no qual tinha meus braços arrepiados. Mas o samba na avenida, o barulho da bateria, são fatores suficientes para trazer a certeza de que em termos musicais, o carnaval foi minha maior experiência musical e uma das melhores da vida.
Em um ponto do desfile olhei ao lado e percebi a cabine transparente da Rede Globo, levei um susto, no bom sentindo da palavra, naqueles instantes havia notado a grandeza do carnaval, não pelo fato de ser a cabine da emissora, mas pelas informações ocultas que o espaço de transmissão me dizia, ou seja, a maior emissora do Brasil, não estaria ali por acaso e sim pela força que a festa alavanca nas pessoas.

De fato é o discurso do dominado sobressaído do dominador. Incentivem essa data, virei defensor.

Como no ensaio, a reta final do desfile chegou e nem percebi, de repente estava nos momentos finais. Desfilar na Mancha Verde foi maravilhoso, mágico, ter a sorte de estar atrelado com o time que eu torço foi melhor ainda.
A Mancha Verde ficou no quarto lugar na apuração, não importa, seu trabalho foi um dos melhores, é uma escola que vem crescendo, ainda não conseguiu o seu primeiro título, no entanto, é questão de tempo. Um pouco dentro da escola, tive a oportunidade de testemunhar a entrega de todos em busca do troféu, resultando num trabalho diferenciado e bem profissional, que mostraria o contrário para os pessimistas que acham que a data é o equivalente a bagunça.
Tudo indica que voltarei pro Anhembi com o desfile das campeãs. Agora, sem a preocupação de errar para prejudicar a escola, vou ter ainda mais liberdade e curtir muito mais e como dito no meu outro post, vou pela terceira vez parar o tempo, parar o momento, viver o carnaval.
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