Começa assim, com um sonho. Por alguns instantes, ela torna-se o que é seu por direito, mas que a vida ainda não tornou real. Seria uma obsessão florescendo? Nina (Natalie Portman) acorda e se execercita. Ao mesmo tempo em que cuida do bem mais precioso que possui: o corpo – conta a mãe (Barbara Hershey) que sonhou que estava dançando o prólogo do espetáculo “O lago dos cisnes”. 
Prestes a encerrar a carreira de bailarina, Beth (Winone Ryder) sente a decadência se aproximando da alma. O oposto ocorre com Nina, que esboça talento e ainda respira juventude. Uma despedida cheia de lamentações e uma chegada cheia de esperança.
O diretor da companhia de balé – Thomaz (Vincent Cassel) montará o espetáculo de que Nina havia sonhado. “O lago dos cisnes” do compositor Pior Llitch Tchaikovsky. Com a aposentadoria  da antiga bailarina, abre-se a vaga para o papel principal. A pequena promessa sonha em conquistar o que é seu por direito. Todos da companhia sabem o quanto a garota é perfeita para o papel de cisne branco, entretanto não para o papel de cisne negro, já que nesse tipo de encenação é preciso transcender, ir além da técnica.
Mesmo com as criticas do diretor, a bailarina desarma-se da condição de dependente para reivindicar a sua vontade de fazer o papel principal Por alguns segundos consegue ter a imponência que a personagem necessita. Começa ali, a sua incessante procura pela independência.
No entanto, a garota é vitima constante do conservadorismo. Disciplinada, porém insegura, estática, inclusa de criar novos caminhos, atônita segue numa cartilha. Em sua vida nunca bebeu ou se drogou, em momento algum tentou ganhar vantagem em cima da desordem. Para alcançar seu objetivo teria que reaprender a viver?
Apesar da lacuna aparentada, ganha o papel. Hora que Esboça pela primeira vez estar alegre, algo tão incomum em sua vida.
Nota-se que além de triste, parece lutar diariamente contra o afogamento, sente a falta do ar no meio de tanta cobrança, soa até clichê, mas sua vida é assim: sofre cobranças da mãe que outrora foi bailarina e permaneçe frustrada pelo fracasso e cobranças também do seu diretor que cria desordem para buscar a perfeição da moça.
“Quero ser perfeita” – a todo instante essa afirmação parece estampar o seu semblante. É diário, cotidiano. 
Quem nunca se tornou seu próprio inimigo?

Ela é o seu próprio antagonista, demoramos para sacar isso. Mas, enquanto permanece a dúvida (depede do seu ponto de vista) chega Lilly (Mila Kunis), também bailarina, o inverso, pelo menos de antemão mostra-se assim, não é notorio de o porque se aproxima, até porque oras sua entrada  parece ser para mostrar o contraponto de personalidades que existem ali, porém, em outros momentos demonstra-se tão obsessiva quanto à protagonista. Mas o que?  É verdade o que estamos vendo na tela?

Nina tem cuidado especial com o corpo, em suma alinha-se a um padrão único. Na sua existência, nunca soube experimentar, segue reta na “linha certa” do seu mundo sem conhecer a amplitude que ele pode gerar. Thomaz serve para destravá-la e encorajá-la. No intuito de refletir independência.

Para que tanto conhecimento técnico se não há liberdade? Ela corre contra o tempo para encontrar o seu demônio, enfrentá-lo e chorar. Sente o processo da redescoberta de si. A cada segundo sabe que está chegando aonde é seu por direito.
Portanto, enfrenta a sua derradeira briga, em seguida já não é mais Nina, tornou-se a representação perfeita da cria de Tchaikovsky, o cisne negro. Na verdade se formos considerar o recurso da “metalinguagem”, ela deixou de ser ela mesmo, quando ganhou o papel e começou a buscar o seu lado negro.

O mundo para: não importa da onde vemos ou quem somos, juntos ou não, agora ou depois, testemunhamos a perfeição de passos em sincronia direta e perfeita com a música. A promessa evoluiu pra realidade – encantando todos presentes. Natalie Portman conseguiu, chegou ao ápice de uma atuação. Darren Aronofsky conseguiu, chegou ao ápice de uma direção.
Não se engane, não é sobre a trama de uma bailarina obcecada por um papel. É sobre a difícil tarefa de viver.

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