Tendo a oportunidade de ler o livro “Política para não ser idiota” dos filósofos Mario Sergio Cortella e Renato Janine Ribeiro, comecei a enxergar o quanto era ultrapassada a visão que eu tinha sobre o mesmo. Fazia parte da corrente pessimista, do qual a maioria dos civis exalta diariamente e não hesitava em afirmar: Político bom é político morto. Em suma, caminhei perante os vinte três anos da minha existência achando que o assunto não era pra mim e ficava desconfiado, toda vez que alguém se aventurava nesse caminho.
Entretanto, exatamente algumas semanas (não me lembro ao certo) venho me reeducando a respeito da amplitude que o assunto pode atingir em nossas vidas e como é importante um indivíduo ter uma responsabilidade política. Graças ao ótimo livro, que é didático mesmo e te coloca a par de todos os contextos que a política abrange.
Uma coisa que aprendi de fato que o termo política não se limita a posições direitas ou esquerdas, vai, além disso, se encaixa como um todo, ou seja, diariamente somos políticos, o convívio é a gênese dessa palavra que surgiu na Grécia.
Com essa base fundamental nas mãos, vamos ao ponto de o porquê a palavra vem sendo desgastada há décadas. Tenho cá pra mim que seja pelo evidente acesso as informações que a sociedade conquistou e se pensarmos que antigamente os fatos ocorridos demoravam anos para serem revelados, em casos mais extremos era esquecido pelo tempo, atualmente, em questão de segundos, descobrimos o que acontece na metrópole, exemplo do fato é nessa semana quando uma joalheria do Shopping Morumbi foi assaltada em determinado horário, não passou um segundo é já era possível saber o que tinha ocorrido, através do Twitter de alguém que estava no fato.
Dessa forma: a corrupção, um fator que sempre existiu desde os primórdios e que hoje, aparece com mais evidência, torna o sentimento da população quase igualitário, diremos que fique numa unanimidade muitas vezes, de que a política é um circulo rodeado de corruptos e o distanciamento dos indivíduos é natural. Numa analogia rápida, mais de bastante valia: qual mãe ensina seu filho a andar com pessoas que gozam de más intenções? Não existe, dentro de um cenário sociológico, é evidente que o individuo que se julga dono de um bom caráter não se interessa em sujar sua “boa reputação”.
Mas, o escritor e gênio, Nelson Rodrigues já dizia em suas prosas, toda unanimidade é burra, como conceder que um assunto mal debatido pela sociedade e banalizado a cada eleição, esteja tão determinante de um significado único? Não precisa ter muita instrução escolar para chegar ao ponto no qual me refiro à generalização não existe, caminha sempre ao lado da diferença e do caso isolado.
Agora com o pensamento de que a corrupção existe em qualquer esfera social e não se limita ao campo político, temos dois sujeitos o corruptível e o corruptor, ambos se completam – o corruptível só assume sua função se for dependente do corruptor, o segundo tem dinheiro e o primeiro tem interesse por poder e ganância. Aonde eu quero chegar? Fácil, se não houvesse o corruptível, não existiria a corrupção, de certa forma, quem é corruptível já esteve na situação de cidadão comum, inclusive já reclamou da política.  Quem detém esse titulo? Todos, que de uma forma ou outra deixam ser corromper pelas mazelas sociais e as propagam, exemplos: Quando você utiliza de má fé um serviço preferencial, quando você não usa o banheiro da sua casa e urina na rua, quando está falando mal do próximo, quando age com preconceito, enfim, existem diversas formas de espalhar a corrupção e não precisa estar vinculada a benefícios monetários, mas que aja de uma forma que faça alguém se afastar da conduta correta.
Próximo desses detalhes encarados de pequenos, como posso cobrar o meu beneficio? Se, as minhas obrigações primarias eu não atinjo. Pois, o que eu julgava ser em menor escala dentro de um cenário político, eu degrado diariamente sem precedentes.
O que fazer? Ser militante diário da própria vida, sabendo que isso o trará perto do objetivo político (se é que isso existe), mas o fato é: atingido consciência política consegue-se chegar perto da utópica felicidade, em outras palavras, tendo a certeza do seu papel na sociedade, se vive melhor.
Quando refiro ser militante, não quero usar o imaginário coletivo em torno dessa palavra, pelo contrário, quero usá-la, para definir uma posição correta. Antes, uma breve lembrança: na antiga Grécia, quem era politizado detinha um dos maiores bens da terra, na contemporaneidade os termos se inverteram.
Por isso, é preciso agir fora de si, sabendo da ciência de ser um cidadão, da obrigação autônoma que é necessário ter em cima de sua propriedade, além dos direitos e das obrigações junto ao Estado. Ter a certeza do significado da palavra “Alienado”, no qual Machado de Assis empregou muito bem em seu romance “O Alienista” – onde era usado para classificar uma pessoa que sofre de deficiência mental. Alienado, uma pessoa, que não sabe da sua própria existência, que está aquém da ação do viver. No entanto, uma palavra que há anos vem sendo empregada de qualquer jeito e que com isso propaga o desapego do não saber.
Coloco o termo em pauta, para estarmos cientes também de que muitas pessoas não aprendem algo novo, por causa do comportamento agressivo de uma pessoa que se julga saber mais que a outra, criando assim o nicho dos “falsos alienados”. Um sujeito que gosta de baladas ou uma dona de casa que gosta do BBB, não pode ser taxado de alienado, porque dentre suas atividades, elas sabem muito bem o seu papel, o cara inicia uma vida, de acordo com o seu gosto e a dona de casa está ciente de que é necessário fazer os serviços domésticos, portanto, vivem a vida, só que de uma forma diferente, não possuem o mesmo conhecimento dos rotulados como “intelectuais”.
Só existe a mudança se há incentivo (escolar, privado, publico, alheio e etc.). Não adianta sentar em um bar na augusta e achar que é politizado, taxando todos os diferentes a sua cultura de alienados, sendo que igual a eles, você segue motivado por algum interesse. Utilizando-se de um termo da web 2.0 é preciso compartilhar conhecimentos, fazer mudança com o pouco que sabe – isso é política – construir uma sociedade melhor, caminhar rumo a sua utopia e dessa forma quando estiver caminhando não parar, mesmo que ela caminhe dois passos a frente. A poesia de Fernando Sabino já dizia que ao sermos interrompidos, fazermos disso o nosso caminho novo.
Para fechar: ninguém desliga a televisão para ler um livro se não foi motivado a isso, ninguém para de roubar se não foi motivado a fazer algo contrário e assim por diante meus caros, é preciso fazer da política um pulso vital. 
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