Sofia Coppola é um daqueles nomes dentro do mundo cinematográfico que me fazem correr da onde estiver para ir ao cinema conferir seu novo trabalho, em tempos, onde os cinéfilos se apressam para devorarem os principais títulos do Oscar 2011, me desapego a essa marolinha, por enquanto – para observar e principalmente ouvir, o que a querida Sofia tem pra falar.
Foi exatamente há dois anos numa dessas visitas a locadora, com o intuito de preencher o entretenimento do final de semana, que me deparei com “Encontros e Desencontros” (Lost In Translation) de 2003, segundo filme da diretora. Não conhecia a filha de Francis Ford Coppola, não sabia do que se tratava a fita, mas a levei, porque tinha gostado da capa. Sábia decisão, que resultou numa grande relação que levo até hoje. Conheci Bob Haris (Bill Murray) e Charlotte (Scarlett Johansson). Aprendi e recomecei a vida com eles. E, o mais importante, fui apresentado ao silêncio de Sofia.
Que mais tarde veria no seu primeiro longa metragem “As Virgens Suicidas” (The Virgin Suicide) de 1999, um aprofundamento silencioso, que impressiona, mostrando um recurso interessante: na ausência da fala vemos o momento registrado sendo tomado pelo som ambiente, transformando cada cena sem áudio dos personagens em um quadro poético. Arte e melancolia combinando cinema a flor da pele.
A exceção de “Maria Antonieta” (Marie Antoinette) de 2006, fita na qual é obvio a tentativa dela de partir pra outras direções (estilo) – tenho cá minhas restrições a esse filme – No entanto, sigo guardando  no coração as suas produções. Devido a isso, fiquei ansioso quando soube que ela estava em processo de lançamento de um novo trabalho.

Somewhere – que traduzido significa em algum lugar, ganhou o titulo no Brasil de “Um lugar Qualquer”.
Na trama, conhecemos Johnny Marco (Stephen Dorff), um astro de cinema, solitário, que mesmo reunido com outras pessoas, vive em seu próprio ostracismo, numa vida desgostosa, sendo a todo momento uma marionete dos agentes, que o convoca para estar em algum lugar, divulgado seu novo filme, por meio de fotos e participação em coletivas.
Se nessa história Coppola filha não conseguiu chegar ao brilhantismo de antes, pelo menos manteve seu bom desempenho, usando suas referências de filmagem, com seus planos longos e sua brincadeira com silêncio, causando dessa vez o efeito do publico fazer sua própria interpretação em determinadas cenas.

É impressionante como a diretora parece gritar ao espectador que o mundo da fama e suas “vantagens” é uma pura ilusão, um mundo vazio e sem profundidade alguma. A direção da diretora soa como se quisesse nos deixar um recado do tipo: “tudo que nós falam sobre os benéficios em se tornar uma celebridade é tudo monótmo, sem graça e desiteressante até o talo. Sua abordagem por meio de Johnny é pra mostrar que uma celebridade não é diferente de qualquer outro ser humano. Tem seus próprios demônios e suas dificuldades para vencê-lo.
Parece que a cada passo, o astro perde sua essência humana, seguindo sem alma num mesmo padrão, sofrendo as mesmas reações diante das mais diversas experiências.
O interessante é que em meia hora de projeção conhecemos o quanto sem graça é a sua vida, é quando já estamos acostumados com a sua fossa, entra em cena sua filha Cleo (Elle Fanning), que significa seu contraste visível.
Entre a imagem do seu contraste que indica existir uma luz no fim do poço e o seu carro importando que o lembra da vida que não lhe cabe mais, Johnny adentra em breves momentos de tranqüilidade (felicidade) e conflitos pessoais.
Mas tudo em sua vida é superficial. O seu convívio é uma mentira, a exceção de Cléo, sua vida vem sendo programada há tempos,  tornando suas ações previsíveis. O que será que o resta? Talvez a relação de ter, possa enfraquecê-lo.
Somewhere acerta na trilha sonora – reunindo nomes de peso da musica como The Strokes, Foo Fighters e Phoenix (os responsáveis pela elaboração da trilha).
Destaco um dialogo genial entre Johnny e Cleo, onde ele pergunta a ela como é a história do livro que esta lendo e a filha responde explicando ser o dilema de Bela querendo se tornar vampira e Edward a proibido – fazendo uma brincadeira em torno da história do Crepúsculo. Por isso acho que seus personagens são bem aceitos por serem humanos, por terem caracteristicas reais. Podendo ser confudidos com pessoas comuns do cotidiano.
Dirigido e roteirizado de uma maneira delicada, Sofia faz sua continuação modesta de “Encontros e Desencontros” – Apostando como fio condutor a mesma melancolia de um ator e também em um hotel como pano de fundo. Só que dessa vez, a Itália (um dos ambientes onde serviu de cénario para seu novo filme), não foi tão determinante para o clímax da história quanto o Japão foi para Bob Haris e Charlotte. Lá o país acabou se tornando um personagem.
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