Antes de deixar minhas impressões sobre o longa – metragem brasileiro “De pernas para o ar” é importante ressaltar o tipo de trama que a cerca, ou seja, – (melhor ainda) – quando se vai ao cinema assistir um filme desses de antemão já sabe o conteúdo que o aguarda – sendo assim, os ingredientes são: 80 % de dose de piadas que entrariam facilmente no programa humorístico Zorra Total, com 15% da simpatia garantida que a protagonista – nesse caso a Ingrid Guimarães, tem de sobra para deslocar indivíduos brasileiros para ver dela o mas do mesmo e sobrando 5% da história manjada – significando que só de enxergar a capa do filme, você já tem uma idéia de como começara e terminará. Corte pedacinhos, coloque no liquidificador e bata – pronto! – Essa é a formula do filme bobinho que não diz nada há ninguém, mas que mesmo assim, por anos – tem o seu espaço garantido.
Sabendo desse diagnóstico, não sai de casa e fui ao cinema com minha namorada – para ver uma obra de arte- tinha a idéia suficiente das limitações da produção que eu iria assistir – é que o primeiro filme do ano, visto no cinema em 2011, não seria como planejado – se não foi o novo movie do Clint Eastwood, com o seu “Além da Vida”, que fosse o “De Pernas pro Ar” de Roberto Santucci – diretor de Belline e a Esfinge – adaptação do livro escrito pelo titã, Tony Belloto.
A trama ocorre no Rio de Janeiro – narra à vida de Alice (Ingrid Guimarães), uma empresaria bem sucedida que é casada com João (Bruno Garcia) e mãe de Paulinho (João Fernandes).
Prestes a ser promovida, ela tem sua vida de pernas pro ar – o que parece é que Alice, ao longo de sua vida, abdicou da sua vida pessoal para fortalecer a profissional, resultando em um conflito direto de áreas, na qual a pessoal saiu perdendo, quando descobre que o seu marido quis dar um tempo na relação.
Partindo desse princípio, pouca desgraça não é suficiente, sua vida é desmoronada de uma só vez. É a carreira profissional no qual tanto cuidava também entrou na dança. Por descuido do acaso, na entrada de seu condomínio, ela troca sua caixa que continha explicações de uma campanha de marketing que apresentaria em sua empresa, por uma caixa parecida que tinha adereços (objetos) sexuais de sua vizinha extravagante Marcela (Maria Paula), que é o seu oposto, – resultado: na decisiva apresentação que seria o fator para ela subir de cargo, ela estragou tudo ao abrir a caixa e todos os presentes se depararem com diferentes tipos de acessórios – causando sua demissão.
No fundo do poço – Alice acaba tornando amiga de sua vizinha Marcela – concretizando o velho ditado – “Os opostos se atraem”, com essa parceria inesperada, ambas estendem sua amizade e se tornam sócias, se transformando nas empreendedoras do sexo. “Desdobramentos” – o que eu tinha me referindo do texto ocorre, é no final todos permanecem felizes para sempre, transpondo realmente o clichê da frase na tela.
Os créditos finais sobrem e as cenas cortadas aparecem, o que me levou a crer em uma coisa: as cenas que não foram aproveitadas no decorrer da película são melhores que as usadas. Com toques humoristas bem mais sacados, ao invés de piadas mastigadas ou estereotipadas que se pode ver ao longo da produção.
De pernas para o ar é sucesso de público, segundo o site Filme B, de 31 de dezembro a 02 de janeiro, o longa chegou à marca de 2.231.595,00 de bilheteria.
Eu poderia protestar aqui e evidenciar que o público brasileiro só consome filme que o impende de pensar – historinhas manjadas que foram realizadas com o intuito de faturar. Mas vou contra corrente, ou melhor, vou com a corrente do sucesso. Esses fatores são certos, o povo tem facilidade com o que é fácil, porém sempre, e, eu sou um desses que sempre cobrou equilíbrio e continuidade ao cinema brasileiro e sendo assim – “De pernas pro ar” de certa forma ajuda um bem maior que é a produção cinematográfica brasileira conseguir tirar no imaginário brasileiro que filme brasileiro seja sinônimo de favela, sexo e palavrão. Resultando: na auto sustentação da indústria cinematográfica brasileira.
Ainda utópico – mas ver a galera rir do começo ao fim com uma produção nacional é muito gratificante, mesmo que essas piadas poderiam entrar facilmente no Zorra Total. “O filme não é uma obra de arte, não é nada (em muitos casos nem entretenimento é), é limitadíssimo em todas as funções básicas do cinema, Ingrid não é uma Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Gloria Pires e tantas outras atrizes competentes do cinema brasileiro. Mas mesmo assim – valeu apena assistir e sabe por quê? Porque levar as coisas a serio é um saco, além de dar muito trabalho.
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