Dentro do elevador, saio, ando, corredor, acho, número 56, bato, abrem, entro, vejo uma mesa branca, sento, coloco minha mochila na cadeira do lado da que sentei, abrem, um sorriso, espera, só ouço isso, espero, silêncio, dinâmica a vista, oco, batem, entra, mulher, senta, do lado da minha mochila, na última cadeira, ela coloca a bolsa – que é dela- dinâmica, prestes a começar, na sala fechada, analista, profissional pra avaliar, vaga disponível. Esperamos, conversamos, eu e ela, dois estranhos interessados na vaga conhecida repentina, mas não se conhecem, dois adversários do momento, a vida os colocou ali, lá eles são números, juntos podem ser par, separados impar, são impar, mesmo juntos, silêncio de novo, chamados, entram, apresentação, analista, julgador, coloca uma barreira, deixa claro sua natureza profissional,, conquistas, ego, acima,  seu objetivo – contratar um número impar. Não se envolve, dois números juntos impar, não se envolve, pergunta, respondo, pergunta, responde, perguntas, respostas, de ambos, aperto de mão, o analista não se envolve, ele é doutrinado pelo mercado, que é intangível, diante de nós o cara que julgou nosso serviço a venda e detêm o titulo de analista – também se torna intangível  e não se envolve nunca. Eu e ela, que juntos poderíamos ser par, somos impar – saindo junto – a porta abre, promessa a vista, vamos embora, comprimento a todos os presentes, boa sorte, dizem, não vejo de quem, mas escuto, longe, perto da saída, saímos, eu e ela na porta da frente que abre, é branca, depois fecha, elevador espera, entramos, dizemos tchau pro porteiro, abrimos o portão, saímos, cada um pro seu caminho, cada qual com a sua esperança, sonhos intranqüilos – promessa de um novo dia, destino, mercado, não dá – pra fugir – ser impar no meio de pares é sina.
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