François Truffaut dirigiu o seu primeiro longa-metragem – Os Incompreendidos, em 1959, baseado em sua própria infância numa França marcada pelo autoritarismo dos país. Ajudando assim, a criar a Nouvelle Vague – um forte movimento artístico do cinema francês.

Antes de ser cineasta, Truffaut era crítico de cinema pela revista francesa Cachiers Du Cinema, diz a lenda que um dos motivos para qual ele resolveu largar a profissão de crítico foi por causa de uma aposta com o seu sogro, que o desafiou a fazer um longa-metragem – sendo assim nasce “Os Incompreendidos”.

                                                     “Vivendo quase aprisionado”

Em um ambiente pós-segunda mundial, o método de ensino da escola francesa era regido pelo autoritarismo  – a soberania total do professor sobre os alunos. Dentro do âmbito familiar não era diferente a repressão também intermediava a relação de país e filhos – no qual o filho tinha que por obrigação abaixar a cabeça diante de qualquer decisão tomada pelo pai.
Dentro desse cénario encontramos Antoine Doinel (Jean- Pierre Léaud) – o alter-ego de Truffaut. Reprimido na escola e pelos país, não demora muito tempo para o garoto se complicar diante de tanta repressão, refletindo em diversas reações, como: roubo e suspensão escolar
Sem querer entender o motivo a qual levou o filho a cometer tamanhos atos, o pai de Doinel o entregou a polícia, no intuito de ser internado em um reformatório. Desdobramentos ocorreram e o longa se fecha (finaliza) diante de uma cena antológica – quando o menino observa pela primeira vez o mar – transparecendo que sua vida a partir daquele momento pode ser tão imensa quanto o mar – naquele instante de frente ao mar ele conhecia e sentia pela primeira vez a liberdade.

                                                     ” Avistando a liberdade”

O fato é que o menino não perdeu a liberdade ao ser detido em um reformatório , ele nunca  a obtve ,desde cedo conviveu aprisionado, castrado de evolução , negligenciado por todos que faziam parte do seu mundo. Dessa forma suas ações levariam para o mesmo lugar – a fuga.

Com um tema que permeia até hoje na contemporaneidade – o autoritarismo dos país em cima dos filhos e a complexidade da relação entre eles, ao final do filme soube a fala que dizia na entrelinhas qual era o resultado da falta de dialogo no comportamento paterno: uma mentira profunda. Nos momentos finais, Doinel respondendo a uma pergunta da psicóloga do reformatório, que pergunta o porque mentia para os país, em sua resposta, ele diz : eles não acreditam mesmo, então prefiro mentir. 

                                                         

De uma trilha sonora discreta porém encatandora – a trama segue na mesma linha – um registro bem simples que conseguiu superar as expectativas da época e se tornar uma obra obrigatória a qualquer um que goste de cinema.
François já mostrava  em seu primeiro trabalho o quanto brilhante seria em sua carreira e assim o tempo tratou de constatar. 
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