Acordados. Fato.  – com despertador ou influenciados por uma ansiedade de renome esperança? 
Não se sabe direito porque e como, mas a cama amanhece sozinha. De todos.
Pra começar, o trajeto é o mesmo do lado perdido da cidade. Pode se ouvir passos progressistas de suas próprias vidas rumo e na direção de um recomeço. Antes, uma parada. O galo nem cantou é logo a frente um desafio – o teste – o cardápio dos dias pode ser escolhido, busão, perua, trem ou metrô, escolha, mas antes um atento – aviso prévio: qualquer opção resultará no mesmo paradigma – lotação, pessoas vindo de vários cantos em um mesmo canto querendo sair rumo ao centro, ou seja, transporte público violento.  Escolho: metrô. O já velho animo conhecido no acordar é testado durante o caminho todo rumo à esperança de um novo amanhecer. Pessoas tumultuadas – aposentado, estudante, desempregado, trabalhador, bandido, uma diversidade só encontrada em São Paulo, terra da oportunidade. Quem não é paulista, é não conhece o horário de rush, ao ser deparado com uma situação dessas, jura e confunde a já normalidade cotidiana com um carregamento de Bois, todos esmagados, indo ao centro da cidade, com o intuito de ser vendidos. Estação da Sé – a inércia corporal ocorre, sem uma força física consegue-se sair do vagão – baldeação – sentido Jabaquara- duas estações: São Joaquim desce. O antigo passo progressista já não é tão forte – pós – guerra metropolitana – os passos agora desfrutam a liberdade acalcada ao sair do metrô.  À frente a chance: – Força Sindical – Centro da Solidariedade – instituto que distribui vagas de esperança. Ao entrar o segundo teste: senha e fila – aproximadamente 90 pessoas juntas, com a mesma promessa. O tempo mínimo de espera, não se sabe. Nunca se sabe. Quem não espera?  Parti sem nada. Silêncio e espera, espera e silêncio. Alguns aproveitam para colocar a leitura em dia, outros improvisam e conseguem dormir, quem ta acompanhado tem no seu acompanhante um atrativo, assim segue:  vice e versa, fones de ouvidos são vistos em diferentes orelhas. Cada senha esperando ser chamado. Cada esperança sendo apagada com o tempo – a espera. A massa não fala – só espera. Predominado a esperar sem falar.  Nesse tempo, a espera. O livro já foi lido, o sono já foi batido, a conversa não há mais e os fones de ouvido estão enferrujados ao ouvir a mesma música. Os atrativos são trocados, se antes tínhamos distração para esperar, com a chegada do canal de televisão que está ali para registrar o ambiente, nós somos transformados em atrativos para cobrir a lacuna da pauta sobre emprego do telejornal – com isso o gerente do instituto da Força Sindical, aparece pela primeira vez no espaço onde estamos esperando há horas – para conceder uma entrevista e pontuar as qualidades do instituto – o engraçado é que o seu surgimento se deve a uma autopromoção, contrariando diretamente o lugar no qual trabalha e que prega Solidariedade – Fraternidade – Companheirismo – Ética. Que comparecesse antes para informar as senhas o porquê da demora. Senha chamada – mais um passo – caixa chama: – pergunta seus dados e sua profissão – a senha responde – caixa procura esperanças – pequena espera – caixa fala: hoje não há esperanças de acordo com o seu perfil – senha responde e sai. Desce a escada sem progresso e com a promessa perdida. Pronto pra escolher o cardápio dos dias.
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