Após uma década de aventuras do bruxo mais famoso do mundo o seu epilogo finalmente chega, que dizer pelos a primeira parte dele, isso mesmo, o final de Harry Potter por uma decisão dos estúdios Warner Bros foi dividido em duas partes. Essa decisão tomada se deve pela justificativa do estúdio em tornar o enredo mais fiel ao livro. Mas quem não nasceu ontem e ainda por cima assistiu a sua primeira parte sabe que essa manobra foi pensando no lucro. Pior para o cinema, que se estendeu pelo menos há uma hora e pouco de enrolação que pode ser vista comprovada na primeira parte final da aventura.

Eu nunca fui fã de Harry Potter, mas também nunca odiei a serie cinematográfica, também nunca tive a vontade de ler nenhum livro do bruxo e antes recriminava quem lia, justamente por ser reflexo da imaturidade e de ir à contracorrente do sucesso, com isso comprava a idéia de muitas pessoas que diziam que a literatura da escritora J.K Rowling, a criadora da obra era fraca, o que felizmente me auto-corrigi, agora sei reconhecer o valor dos livros e quando perguntado a mim sobre o que achar da escrita, apenas respondo: não sei. Na minha humilde opinião deve ser um bom entretenimento, somente.

O Enigma do príncipe, o antecessor da serie, foi uma das surpresas e foi o motivo principal para que gerasse em mim a expectativa do seu derradeiro final. Naquele filme, também dirigido pelo cineasta David Yates, que figura como diretor desde “A ordem da Fênix”, eu consegui me encantar com o mundo fantástico de Potter, finalmente conseguia ser pego pela historia que se transformou em fenômeno mundial.

Então, desde já estava ansioso e quando soube da noticia da divisão dos filmes, há nenhum momento passou a minha cabeça que se tratava de uma manobra industrial a fim de arrecadar mais dinheiro, pelo contrário estava achando que isso era um forte indício da potência que viria a surgir, o épico que eternizaria de vez a produção na historia da sétima arte. No entanto, eu sempre defendo que existe no entanto quando uma falsa expectativa é gerada, a primeira parte do longa metragem é cansativo, para não dizer deprimente.

Explico: A produção começa muito bem, recordando coisas do passado, atingido diretamente o sentimentalismo do fã, depois somos avisados de que uma guerra esta prestes a explodir, refletindo na caçada do mago do mal Voldemort aos três protagonistas Harry Potter (Daniel Radcliffe), Hermione Granger (Emma Watson) e Rony Weasley (Rupert Grint), porém o filme só é isso, não acontece nada, existe uma falta de ritmo na narrativa muito grande, a velha sincronia conhecida dos três amigos se perde com o prolongamento sem sentido da historia, nenhum deles consegue mecanismos suficientes para despertar a atenção da platéia, tudo ali é disperso. A impressão que dá é que há todo o momento eles estão doidos para perguntarem em voz alta “que porra a gente ta fazendo aqui? “.

A briga de Harry com Rony é a coisa mais feia vista por mim no cinema nos últimos tempos, aquilo suou muito fake. A exclusão da escola (Hogwarts) é uma péssima decisão, como contamos o fim de um historia e excluímos um dos personagens principais da serie? Alguns fãs dizem que isso traz mais humanidade na trama, entretanto eu quero que se foda a humanidade, não precisa haver traços humanos em uma historia que ao longo dessa década foi conhecida como nonsense (fantástica). Quando eu compro o ingresso do Harry Potter eu quero esquecer o mundo, quero entrar no mundo fantástico, quero coisas sobrenaturais, quero estudar em Hogwarts, quero jogar quadribol e não ser tele transportado a cada segundo em lugares sem sentidos, sem nenhum apelo carismático.

A sensação que eu tinha a cada cena era a seguinte: imaginava os produtores da Warner do meu lado me dizendo estamos felizes com a sua presença, mas informamos que antes da incrível comemoração com bons pratos, bolos, coquetéis, vamos recepcionar vocês com salgadinhos vencidos, refrigerantes de segunda mão, tudo de ruim alimentício.

Queriam faturar em cima da sua galinha de ovos de ouro, tudo bem, mas fizesse algo digno, queria encher a trama para jogar toda a emoção na segunda parte, que fizessem isso com a galera jogando quadribol e não inventando um casamento idiota. Li em fóruns, sites em que “As relíquias da morte parte 1” trata-se de um dos longas metragens mais fieis ao filme, segundo a opinião dos fãs, desculpa mas no cinema não funciona, tem que ter emoção, tem que ter cenas memoráveis.

Com a fotografia de Eduardo Serra cria-se um ambiente obscuro na franquia, trazendo a tona o quanto existe infelicidade naquele local. O que é a melhor coisa do filme, mas não a fundamental e suficiente para criar uma boa historia.

Em relação ao final, com a morte do Dolbie, será que eu fui o único que achei aquela cena forçada demais? Não acreditei na infelicidade do Harry Potter, sendo assim, isso não é um problema da sexta parte em si, mas sim do ator que interpreta o protagonista, Daniel Radcliffe. Pois bem, não senti choro e nada. Foi muito mais relevante a morte de Albus Dumbledore, inclusive a própria atuação de Radcliffe em saber da noticia.

Mas se existe algo pelos a mim que essa obra trouxe de bom é o crescimento de Ema Watson como atriz, ela domina a trama do começo ao fim, mostra que cresceu e será uma das grandes atrizes em um futuro próximo.

Apesar dos pesares acredito ainda na segunda parte, sei que numa mesma época que nem a de hoje, mas no ano que vem estarei fascinado com o fim da aventura da maior franquia existente na historia do cinema, é isso, não sou eu que falo, mas sim os números que não mentem. Não existem as chances de não ocorrer um final digno, pelo menos penso eu. Esses produtores são uns miseráveis querem faturar em cima de todos. Tudo bem Warner Bros, eu espero os bons pratos, o bolo e os coquetéis.

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