Há poucas horas estava acompanhando o noticiário da televisão sobre os recentes ataques no Rio de Janeiro, causado por uma luta armada do tráfico contra os vários nichos da Policia carioca. Da Rede Globo a Bandeirantes, todos os chamados profissionais honrados estavam esmagando até o caroço o acontecimento, tirando as últimas gotas de sangue para favorecimento próprio. Pois bem, após o grande incentivo da violência cega pela programação televisiva visando o “falso favorecimento” de uma população hipócrita, sentei cá no computador e entrei no twitter: li declarações escrotas sobre o caso vindo de pessoas públicas que certamente devem ter surgindo por intermédio da cobertura sensacionalista da televisão brasileira e com certeza esse discurso exposto na rede online alcançara um numero alto de pessoas que não estavam diante da TV, mas que compraram a tal opinião por conta do seu artista favorito achar isso ou aquilo e assim, espalhara a opinião em qualquer espaço diante de outros leigos que estejam castrados do senso critico, seja no espaço público ou privado, ou seja, temos um discurso preconceituoso gerando pela mídia brasileira que está e será espalhando na sociedade civil. O vírus vingança ganhou vida. E o problema da violência foi sanado? Não.



Em um artigo no site Observatório da Imprensa, escrito pelo jornalista Rafael Casé cujo nome é “Cadê meu Capacete?” ele aborda o comportamento da mídia brasileira referente a esse acontecimento. A sua constatação é a seguinte, a própria mídia favorece a ação do tráfico, mas como? Exaltando o medo diante da população o que reflete diretamente nas ações bárbaras dos bandidos, com isso o tráfico do rio ganha poder, notoriedade, todos sabem quem é a bola da vez. Dentro desse contexto temos jovens oprimidos à vida inteira que por meio da mídia ganharam o poder e sabe-se que com essa força nas mãos eles podem infernizar o fato um pouco mais e estender a tal da notoriedade. Mas nessa quem perde é o civil que precisa trabalhar e estudar. Um exemplo típico do mau uso da mídia foi no caso da menina Eloá, ocorrido na periferia paulistana. Quem não é cego sabe que o responsável direto por sua morte foi à apresentadora Sonia Abrão e sua produção, sabemos que a ação infeliz do seu programa em tentar negociar com o seqüestrador Lindermberg foi fundamental no decorrer do seqüestro que ocasionou a morte da menina. Com essa tentativa imbecil de fazer a tarefa do policial o programa da Rede TV forneceu poder ao infrator. No entanto, o que isso tem haver com o ocorrido no Rio? Tudo, a mídia promovendo o medo  abordando esse fato, só pode causar um estado idêntico diante das pessoas. Numa guerra quem tem medo perde.  


No mesmo artigo o jornalista explica quais são os reais motivos que levam a imprensa em veicular os fatos dessa forma, os motivos são os mesmos de sempre: audiência que por sua vez gera lucro. Que coisa, como confiar numa imprensa que usa a desgraça desse porte para beneficio próprio. E olha que isso não trata-se de uma teoria da conspiração, queria que fosse, mas não é. Os indícios não condiz com a mentira, horas porque um veiculo com uma autonomia como o “Observatório da Imprensa” estaria interessada em falar mal da própria categoria.  

Então o buraco é mais em baixo. A velha ideologia jornalística morreu há tempos, verídico eu não confio no tele-jornalismo, onde está o atestado de óbito?

Outro ponto que ganha força com o apoio midiático  e que não foi relatado no artigo de Casé,  é a anulação das verdadeiras resoluções com uma abordagem desse tipo, sendo assim: as instituições midiáticas não só fortalecem o medo como sustentam o preconceito que se gera por esse discurso. Nesse ponto quem se adentra novamente é o falso sentimento de  vingança da população. 

Eu como pessoa física, confrontante de mim mesmo e um estranho nesse ninho chamado Brasil, não defendo a criminalidade, mas detesto muito mais a hipocrisia humana em achar que a violência da nossa policia é benéfica e com isso a limpeza da casa será feita. Porra nenhuma, pra nada serve essa ação tida dos policiais, tenho e reafirmo a certeza: pra nada serve esse comportamento, quem teve a oportunidade de ver o documentário “Falcão” do rapper Mv Bill sobre os meninos que trabalham para o tráfico sabe que o depoimento mais marcante do registro foi de um menino que inteligentemente pontuou a realidade dizendo da seguinte maneira: “se eu morro, nasce outros” Agora, sabe por quê nasce outros bandidos? Porque a nossa política pública é uma merda, um lixo.   

Enquanto o modelo da escola pública for à mesma de sempre, teremos mais bandidos, como teremos também prostitutas, mendigos e toda a classe marginalizada existente no Brasil. Acompanhando o Debate Mtv sobre a lei penal no país, vi um depoimento muito pertinente ao meu texto de agora, do escritor marginal Ferrez, no qual a sua fala é que a legislação foi feita com muita sabedoria pelo elitizados, que não respeitam, como também tem nela uma flexibilidade por terem o poder aquisitivo em relação aos mais carentes que são os verdadeiros prejudicados pela legislação. 

O jogo é esse, são varias peças na mesma situação: primeiro uma ferramenta (mídia) que poderia causar a revolução, mas se vende para publicidade e pelo lucro como um noia se vende por uma cocaína, um pouco a frente à política ri de tudo isso, mas precisa usar a força da repressão que serve como antídoto para acalmar um pouco a situação, entretanto agradece a deus por surgir fatos como esse que beneficiam a corrupção ocorrida que é camuflada por debaixo do tapete e ninguém terá tempo pra notar isso, quase juntas encontra-se a burguesia, a classe média alta e baixa que trazem consigo alguns membros mais carentes das partes pobres do país, que por meio do filtro televisivo sustenta um ódio coletivo pelo crime organizado e jura que nesse país todos tem  a mesma oportunidade de crescer na vida, mas perto da “imundice”  está os criminalizados que possuem um ódio monstruoso construído por nós mesmo da sociedade, que ajudamos a criar o monstro e agora temos medo do seu potencial em matar, só existe ação bruta, nunca existiu a oportunidade de ter nas mãos um livro literário que fosse para ordenar um caminho humilde, um ódio histórico que gera ódio momento, no final quase invisível aos olhos, está o diferente que julga que uma segunda leitura dos fatos é fundamental para existência de qualquer ser humano, que possui um senso crítico diferente de muitos e por isso é taxado por muitos como maluco, rabugento, velho, comunista, anarquista, enfim os apelidos são muitos, é isso causa um afastamento direto em se relacionar com indivíduos anestesiados pelo consumo cego. 

A guerra sempre esteve ai, antes do meu nascimento, mas sempre foi uma guerra desleal, onde muitos possuem suas armas e outros continuam desarmado. Com o advento da internet uma parcela mínima luta pelo que acredita, ainda de uma forma tímida, mas como diz um cara que eu respeito à revolução vai estourar por uma pessoa só, enquanto isso não acontece escolha seu perfil e vá para a guerra. Porém, cuidado, se for escolher o caminho errado se tornará meu inimigo.  
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