Depois da seção do filme Tropa de Elite II sai extasiado da sala com a memória fresca daquilo que tinha a poucos minutos deparado diante na tela. É durante a semana continuei com a mesma sensação, a minha vontade era de sair a quatro cantos gritando as pessoas o quanto a produção é foda. Para alguns amigos, indiquei, falando que tratava-se do melhor filme realizado no Brasil nos últimos anos.
É as semanas foram passando, aquela magia estava acabando. Essa especifica (a magia) daria lugar, com certeza a outras obras as quais me tirariam o sono certamente, por conta de alguma qualidade explicita que a produção em questão demonstraria.
Restava, a pequena lembrança da boa vibração da obra de Padilha.
Foi ai, que o longa metragem se popularizou, como era previsto. No metrô lotado era estranho se no horário de pico ninguém falasse da continuação, sendo bem ou mal. Alias, acho pouco provável alguém omitir uma opinião negativa diante de tal – registro “poderoso” cinematográfico e quem a fez certamente é um alvo fácil da manipulação.  É nessa, não entra falsa liberdade de expressão, não aqui, nesse lugar onde um falso regime, vive, abertamente e diariamente permanece sem susto de auta-reforma.
Não sou comunista, pra mim é piegas demais levantar a bandeira da direita ou da esquerda, quando na verdade os interesses são outros: e na verdade uma palavra denomina uma quantidade significante de civis habitantes da terra desprovida chamada Brasil, a palavra PODER, que surge como potencia para instrumento da opressão. Isso acontece desde o político ao segurança da CPTM, que oprimem sem pensar seus subordinados.
Poder há o poder, como uma sensação pode deixar o ser humano tão dependente da podridão, se tornando uma pessoa odiosa, por conta de uma falsa admiração demonstrada pelo individuo que também quer ter poder, de um respeito comprado. Enfim … Divago.
Continuando. Hoje por conta do acaso, assisti novamente a produção de Padilha. Cinema Lotado. É novamente a mesma sensação, quer dizer, mais alta, uma sensação mais alta, tipo: um dos motivos para a realização desse texto foi o que eu senti assistindo a segunda vez Tropa de Elite II. Foda.
Uma informação antes de qualquer acusação previa de euforia irracional por conta do meu comportamento. Cara sou cinema, pra mim cinema diverte sim, mas em primeiro lugar cinema educa, portanto, acho massa demais, quando na sua própria terra, alguém tem coragem de rodar uma obra tão foda, como essa. No sentido de porra (autenticidade): vamos jogar a bosta toda do cotidiano no ventilador, se no primeiro filme, a gente tornou o comportamento violento do Capital Nascimento em heroísmo, agora jogamos uma pedra no publico, é diremos que a violência do BOPE é só uma manchinha de canetinha que ajuda preencher a merda toda. Não serve pra merda nenhuma. Ou seja, os caras matando traficante não estão ajudando ninguém, quem assistiu o documentário falcão meninos do tráfico sabe que o proceder é mais ou menos assim: Matar bandido, não adianta se morrer um nasce outro. Processo contínuo.
Ouvi comentários de pessoas que caracterizarão o longa como produto que banaliza a violência, surgiam gritos que diziam: será que precisava de tanta morte assim? Foram pontos de vista que levei comigo até hoje, foram pensamentos que causaram um combate interno em mim, no qual pensei por horas que tinham razão com o argumento. Só que hoje, após a segunda seção eu pensei novamente sobre isso, é conclui: Em São Paulo, a violência já ta banalizada faz tempo, há muito tempo. Eu não falo propriamente da violência no sentido de violentar alguém com a ação física, mas outras formas de violentar o próximo, como a violência moral, que há anos está por ai, na metrópole é ninguém, quase ninguém percebe.
O imundo serviço público no qual contamos, dói mais do que qualquer tapa dado por um Policial mal remunerado em alguma viela por ai. A forma em como somos tratados pelo intangível mercado de trabalho, ou seja, mais um número, objeto substituível facilmente. O péssimo salário mínimo no qual os verdadeiros trabalhadores ganham. A programação indecente da televisão brasileira. É olha que isso nem é a metade das violências nas quais sofremos. É os agressores estão impunes andando por ai.
Então, reclamações sobre a violência é algo a ser pensando, ou melhor, pode ser desconsideráveis, com toda constatação. Culpar o cinema por um fenômeno que por si só já foi gerando, sem a ação do projetor é um erro lastimável.
Outro argumento que ouvi é no cinema brasileiro só filme de favela faz sucesso, não, existem três filmes brasileiros recentes da retomada que fizeram recordes de bilheterias e não discutem a violência e a favela, mostrando o quanto é infundado essa teoria, são os Dois Filhos de Francisco, Se Eu Fosse Você e Chico Xavier. A resposta do sucesso para produção brasileira é ter boa publicidade e bons parceiros. Com isso, o filme não passa em branco.
Muito bom se você estudou e conseguiu ser alguém na vida. Muito legal mesmo. Só não pode cara formado chegar ao cinema e falar depois da seção que esperava mais agitação na película. Sendo que ele certamente estudou alguma obra critica de alguma importância considerável para obter sua formação. Cada vez mais o ditado: diploma não qualifica ninguém pode ser aplicado.
Eu não sustento a ilusão de que o tropa de elite II vai mudar o Brasil, sei que vai mudar a indústria cinematográfica brasileira, como disse antes na primeira resenha que fiz sobre o filme. No entanto, fui pego e acho que uma minoria também foi pega, no sentido de causar reflexões.
Como já disse em algumas conversas, não tem importância se a população precária não encontrar educação na trama, sei entender perfeitamente o contexto no qual são inseridos, acho uma grosseria por parte deles, mas fazer o que, sem estimulo ninguém demonstra resultado. Entretanto, ser humano que tem o conhecimento a seu favor, que por preconceitos inseridos na infância ou na classe social habitada demonstra uma opinião preconceituosa, com argumentos pifeis que nem de longe justifica a tal “liberdade de expressão”, isso sim, me deixa com muita raiva. Por causa dessas opiniões imundas que a merda toda acontece.
Um fato que eu vi relatado no noticiário diz muito sobre o que as opiniões negativas: no qual, garotos foram especados por um grupo de burgueses que justificaram sua violência por conta da opção sexual das vitimas. É ainda vejo uma mãe, um advogado querendo explicar a ação cometida pelos burgueses, expondo problemas sociológicos no meio, como por exemplo: Meu filho é correto, acho que ele fez isso porque estava em grupo, essas coisas acontecem. Puta que Pariu, caralho, todos os palavrões do mundo não seriam os suficientes para declarar a minha indignação por esses depoimentos. Para não me exaltar mais, escrevo o seguinte, o comportamento dos meninos elitistas não passa de reflexo de suas famílias, de seus meios, ou seja, eles são apenas os novatos preconceituosos.  A maça podre já e podre faz tempo.
Com isso, tenho a comprovação de que a guerra esta ai, uma ação injusta que permanece. É quem nasce pobre nesse país precisa ser oito vezes melhor, quem nasce negro pobre nesse país precisa ser 10 vezes melhor, quem nasce gay pobre nesse país precisa ser 10 vezes melhor, do que os bons filhos da elite.
O que o Tropa de Elite II mostra muito bem é que a classe dominante é unida, por isso dominam, em compensação a classe precária é desunida por isso é dominada. Essa é a real.
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