Acho que um tema que nunca vai ficar démodé é a adolescência. Não importa o tipo de mídia que aborde o assunto sempre obtive curiosidade em torno.
Mesmo chegando uns vinte minutos atrasados considerei – O mito da liberdade, dirigido por David Robert Mitchell o filme mais fiel que retrata a adolescência pós-moderna visto por mim. Explica de fato o que é estar nessa fase. É olha que se formos identificar o significado do titulo em inglês, veremos algo do tipo “O mito do ultimo dia de aula americano”
Agora, a pergunta que não quer calar é: como um filme que retrata adolescentes americanos consegue servir de parâmetro para descrever os jovens brasileiros também?
Na verdade, não consigo achar a resposta: talvez seja um coletivo de fatores que estão inseridos na sociedade. Por exemplo: A publicidade, o consumo, a rapidez da metrópole e por assim em diante.
O titulo em português significa mais pra obra do que o em inglês, o que é raro, considerando a lambança histórica de nomeações já dadas pra filmes estrangeiros aqui no Brasil.
O roteiro escrito também por David Robert Mitchell deixa claro que a narrativa foi proposta de dentro pra dentro, ou seja, não é uma historia contada por um adulto com o seu ponto de vista sobre o mundo juvenil, parece que o argumento exposto foi realizado propriamente por alguém inserido no mundo retratado.
Um trabalho eficiente que deve ser conseqüência de diversas pesquisas de Mitchell com os jovens estadunidenses, sobre os seus principais anseios atuais.
Eu diria que o ponto da trama que sabemos que aquela historia contada pode ser direcionado para uma quantidade alta de adolescentes do mundo todo é quando o personagem Steven fala para Maggie sobre o mito criado em torno do inicio da adolescência, as promessas que surgem embutidas juntamente com o aparecimento da nova fase, geram muitas vezes uma quebra imediata da infância por considerar que inserido em outro contexto você terá privilégios e se tornara especial (as pessoas se comportaram diferentes com você). O que na verdade é balela, o individuo irá atravessar determinado ponto sem estar preparado para tal, refletindo automaticamente no esquecido de uma fase que certamente te fará falta anos a frente.
Falo isso, porque fui um desses garotos com 10 pra 11 anos que abandonaram imediatamente a infância por dar ouvidos a promessas que diziam que ser um adolescente faz as coisas serem melhores, muitas descobertas, uma liberdade impressionante.
Não que a adolescência não proporcione boas experiências, só que as coisas não são tão amplas assim. Ser um adolescente não requer ter a liberdade como sua: esse mito não é do alcance do ser humano, não quando se convive em um regime capitalista, todas as idades encontram-se barreiras em algum sentido do “ser livre”.
É disso que á película norte americana discute, será que os nossos adolescentes são reflexos de publicidades, consumo, das nossas lendas juvenis? Que obrigam você ser uma pessoa ideal ou percorrer em um campo extraordinário, mesmo sabendo que aquilo é retratado pra vender, fugir da sua realidade social.
Isso é batata, acontece, quando quem detém o poder do discurso são pessoas saudosistas que se lembram da adolescência como uma época de rebeldia, onde faziam e aconteciam. Mas, que são incoerentes quando são perguntados se queriam que seus filhos tivessem a mesma experiência que eles tiveram, imediatamente dizem que não.
Uê, se existe uma valorização extrema a respeito de uma época que se foi, onde o que predominava era a falta de legalidade, porque não passar adiante para as próximas gerações.
E ai que acontece o erro, porque existe uma militância por parte da família que insiste em reprimir por reprimir determinado ato do filho, que vendo no contexto é idêntico a ação feita anos atrás pelo repressor de hoje, sendo que se houvesse uma conversa para entender a ação cometida teria mais chances de cortar a raiz (se for preciso), não sendo assim a probabilidade desse ato ocorrer novamente é maior, é pior se não houver a alta conscientização do autor de se identificar no próprio erro, as coisas tendem a piorar.
Será que a geração pós-moderna de adolescentes se perdeu? Fazem o que dizem pra fazer? Sendo, um pós-adolescente digo que sim e não também, cada um tem seu caso especifico alguns conseguem ser autênticos durante a fase inteira, outros se espelham por outros pensamentos e comportamentos, alguns são presos e fazem o que sentiam vontade de fazer na adolescência quando atingem a maturidade, se prejudicado. Não tem como não dizer que somos reflexos do que consumimos, do que nos deparamos, do que convivemos, tai o desafio, escolher seus próprios caminhos, suas próprias experiência com autenticidade, mas a liberdade nunca alcançaremos, nunca.

Sobre a trama:

                                                    O surgimento da atração

Suave é a palavra certa para denominação das cenas que se passam na trama. É tudo natural, não existe uma forçação de barra em nada. É bem claro que a obra não quer tratar os adolescentes como idiotas ou mulas.

                                                        A descoberta

Na narração, vemos uma Detroit contemporânea, onde residem garotos (a) que poderiam ser vistos em São Paulo. E na duração da película, ela observa os anseios, as dificuldades sociais, as problemáticas, os sonhos desses jovens que estão prestes a entrar de férias do colégio, cada um preenchendo a trama com a sua particularidade.

                                                       O despreparo

Cito a bela cena que se proclama as férias definitivas em Detroit: por intermédio da musica Elephant Gun do Beirut (música conhecida pelos brasileiros por ser parte doa trilha sonora do seriado Capitu) vemos registros daquela cidade, desse momento especifico.

                                                O nascimento de sua autenticidade

Pois é, com um orçamento modesto pelas imagens registradas, uma historia que não se desgasta dependendo do tipo de abordagem, O mito da Liberdade merece ser visto por muitos pais, para entender de vez o que acontece nessa idade ou lembrar.

Ficha Técnica:
Título Original: The Myth Of The American Sleepover
País de origem: EUA
Gênero: Ficção
Ano: 2010
Diretor: David Robert Mitchell
Película: digital
Formato: cor
Duração: 97 min.
Falado em: Inglês

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The Myth of the American Sleepover – Official Trailer from Strike Anywhere on Vimeo.

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