34° Festival de Cinema de São Paulo: Menino Prodígio, produção de origem canadense, dirigida por Luc Dionne, estrelando: Patrick Drolet, Marc Labrèche, Macha Grenon.
Trama que retrata a vida do pianista André Mathieu, um pequeno fenômeno canadense que surgiu na década de 40, com apenas 4 anos de idade já compunha e tocava de uma forma fascinante.
Por seu pai – Rodolphe Mathieu aprendeu a tocar suas primeiras notas em um piano. Quando ainda um menino batia na porta dos vizinhos acompanhado de sua Irma para oferecer seus serviços musicais em troca de moedas.

                                       O pequeno prodígio conquistando a Europa

É foi assim que o pequeno Mathieu conquistou a Europa por seu talento único. Numa cena que gera calafrios de emoção: Diante de um recital com público lotado em Salle Gaveau (Paris) as suas composições refletiam nos rostos emocionados de todos presentes. A crítica parisiense foi unânime em declarar: esse fenômeno do piano trata-se de um novo Mozart.
Serge Rachmaninoff, pianista russo, um dos principais nomes da musica clássica disse ao repórter ao ser perguntado o que era Andre Mathieu, sua reposta foi rápida: é um gênio, é melhor do que eu fui.
Inseridos num contexto novo em um ambiente onde o que impera é o poder, sua mãe e seu pai ficaram deslumbrados, sobrecarregando cada vez mais o menino prodígio e deixando de lado sua Irma, onde literalmente sua existência havia se tornando uma sombra perto da dele.
Pelo governo de Quebec (Canadá) ganhou uma bolsa de estudos em Paris, onde aperfeiçoou o seu talento, no entanto por conta da eclosão da segunda guerra mundial, ele e sua família precisaram voltar para Montreal.
De volta a sua cidade, ele iniciou uma turnê pelo seu país e nos Estados Unidos, no qual novamente tocou todos os presentes com uma performance inesquecível em um recital no New York City. O pequeno pianista responde aos curiosos como cria suas formidáveis canções, imagina estar atrás de um navio observando o canto das gaivotas, seus dedos transformam o abstrato em forma, em sentimento e porque não em vida. O ataque de abelhas, o barulho dos índios viram composições.
Os tempos dourados se foram e a idade para Mathieu chegou. Ele presencia os tempos mudarem. A modernidade chegou à arte antiga é ultrapassada, uma velocidade impressionante acompanha todas as formas culturais.

                                                   O prodígio cresceu e se perdeu

Nesse contexto, o menino prodígio se perde: conhece o álcool, as mulheres, a solidão, o matrimônio. Em um confronto com o seu passado caminha diariamente rumo ao seu próprio inferno pessoal.
Perdido, concretiza que foi esquecido. Sua arte permanece, porém pela infelicidade dos admiradores da boa arte, morreu sozinho no anonimato.
Eu já disse isso antes, é volto a reafirmar, o cinema é foda, tem o poder de inserir o público em diversas épocas, formas e vidas. Não conhecia a obra e a vida desse menino prodígio, pelo cinema acabei sendo apresentado. Para alguns isso é banalizar a obra de determinado artista, entretanto nesse caso, é claro que não é possível retratar fielmente a vida do biografado, mas, ao contrario de promoções publicitárias fajutas (CDs da folha) que propõem adentrar em algum contexto cultural o sem possuir nenhum apelo artístico, essa produção deixaria Mathieu feliz, por tratá-lo de uma forma poética.

                                                          a sua arte

A obra retrata um fato que aconteceu na década de 40 e ainda hoje é colocado em pauta, a quebra da infância da criança, devido o abuso de pais que sobrecarregam erm suas crianças, tudo o que não conseguiram fazer quando tinham idade por incompetência, sucesso e fama.
Sem dúvidas, menino Prodígio foi o melhor longa metragem visto por mim nessa amostra de cinema, porque consegue misturar variações que eu gosto em um universo cinematográfico, trilha sonora orquestrando a cena, a perfeição na sincronia dos atores, o foco da câmera em momentos tristes e a complexidade do protagonista sendo levada em questão ao longo da trama.
Ficha Técnica:
Titulo original: L´enfant prodige
Ano: 2010
Diretor: Luc Dione
Roteirista: Luc Dione
Elenco: Patrick Drolet, Zaccari- Charles Jobim, Marc Lambrèche, Itzhank Finzi, Karine Vanasse, Macha Grenon.

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