TROPA DE ELITE II:

Logo de premissa, antes dos créditos iniciais, aparece uma mensagem escrita na tela do cinema com o teor mais ou menos assim: Apesar das semelhanças com a realidade, essa é uma obra fictícia. Pode-se encarar está frase como aviso prévio que ajudará o expectador fazer a seguinte afirmação ao termino do longa: Porra, essa história é um relato real da realidade que vivemos.
Pois é, se tornou clichê falar que o novo filme de Padilha é um soco na cara da população brasileira, mas, não existe definição melhor que posa ser feita no momento. Durante “quase duas horas” testemunhamos o lado negro do Brasil, indignados saímos da sala do cinema pensando que essa porra de páis não vai mudar, no entanto, fora das acomodações do cinema, podemos refletir melhor e sentir um fundo de esperança em quanto uma futura melhora do Brasil, levando em consideração o fortíssimo quadro de protestos que surgem no ar, ou seja, com o advento das novas mídias como a internet, a existência de um objeto, que se torne uma “contracultura” para colocar vigente a sua qualidade e sobressair em relação o antigo e ultrapassado modo de emitir algum produto, é muito mais fácil de ser possível. É tropa é isso. Protesto contra a situação cômoda atual do nosso cenário carioca-político brasileiro.
Para mim, tropa de elite 2 vai ser um divisor de águas para a indústria cinematográfica brasileira, em diversos aspectos. Para isso preparei tem 3 argumentos que efetivam e comprovam a minha afirmação: o primeiro deles é o fato da quantidade de copias lançadas em todos os cinemas do Brasil, no total foram 660 cópias, registro inédito de uma obra nacional com tanta repercussão e espera, o segundo é a competência técnica em todos os sentidos do longa metragem, dando a certeza de que uma obra nacional muito bem apoiada pode chegar ou ultrapassar os parâmetros de um blockbuster americano e a derradeira e terceiro argumento é a própria história contada, o diretor José Padilha juntamente com o roteirista Bráulio Mantovani escreveram uma história potente e que se fará decisiva para história do país. O fato é tão emblemático que os caras conseguiram colocar numa mesma produção ação e consciência.
É olha que nem citei Wagner Moura, que para mim é um gênio, o melhor ator da sua geração, quiçá de todos os tempos, fora de brincadeira, a sua atuação é inspiradora. Eternizar um personagem como ele fez é tarefa árdua, ainda mais no cinema brasileiro.
                                   Alguns integrantes do elenco e da produção do filme
Sem falar, que além de Moura, o elenco também é formidável, Maria Ribeiro, André Mattos, André Ramiro, Seu Jorge, Tainá Muller, Sandro Rocha, Mihem Cortaz e Irandhir Santos, que detona na pele de Fraga, um esquerdista que acusa Nascimento de ser Fascista.
Um detalhe que abre o espaço para genialidade do diretor em brincar com os críticos do filme anterior, onde as pessoas contrárias do fenômeno BOPE, encheram os fóruns, blogs e programas de televisões acusando a história de Padilha de ser fascista.
Breve Sinopse:
Nascimento nessa trama não é mais comandante do Bope, sua missão não é mais prender traficante e sim coordenar os grampos telefônicos espalhados pela cidade do Rio de Janeiro, isso, porque agora ele foi transferido para o serviço de inteligência da Secretaria da Segurança Pública do Estado.
Nessa trajetória, nascem novos personagens, o roteiro fica mais complexo, o tráfico já não é a bola da vez, seus verdadeiros inimigos é a milícia, a policia do Rio de Janeiro.
Descobre-se que a favela é uma geradora de dinheiro, por conta do forte consumo que ao contrário do que se pensa não se restringe em ficar preso na burguesia do Leblon, sendo consumidas pelas fatídicas Helenas do novelista Manuel Carlos.
Temos espaço para uma sátira dos programas policiais inúteis da televisão brasileira, que na pele de André Mattos (Brilhantemente), vemos o quanto o sensacionalismo segue como uma ferramenta fortalecedora dos planos maquiavélicos políticos do que uma ação comunitária.
A previsão é essa, agora se agüente na cadeira e veja uma simulação da roupa suja do atual cenário político brasileiro sendo lavada perante milhões de expectadores.
Inspirador:
Ainda, sentindo fortes doses do efeito devastador do filme, permaneço com poucas palavras para compartilhar. Por hoje, a palavra sentimento é a melhor colocação para representar o que senti assistindo.
Numa cena emblemática, protagonizada pelo Capitão Nascimento, no qual ele se favorece da mesma técnica de qual utilizava para bater nos traficantes do morro, para bater no secretário de segurança pública. Eu senti o mesmo ódio que nascimento sentia, cada soco dado por ele, representava um soco dado por mim e me arrisco dizendo que muitos também se sentiram da mesma forma.
O cinema tem muito disso, emprestar a sua magia para fins sociais, como muitos mestres do cinema fizeram e fazem até hoje, no intuito de protestar contra as mazelas que perturbam o seu tempo: Chaplin, Gaspar Noe, Godard, Almodóvar, Thomaz Anderson, Meirelles, além de outros cujo nome não me recordo agora, mas, que com certeza, o diretor Padilha pode tranqüilamente figurar nesse seleto grupo de visionários cinematográficos.
Nascimento declarando ser contrário da decisão do secretário de segurança pública em invadir o morro

Falar sobre a realidade brasileira é perigoso, caminhar na direção do clichê é contagiante, por conta da formula alcançada em outras horas (obras). Só que José Padilha nesse tropa conseguiu pegar um tema desgastado é retrata-lo de uma forma autentica e também conseguiu fazer uma continuação ser melhor que a sua gênese.

Talvez a trama contada, acorde o leigo, alvo fácil do entretenimento barato e da facilitação da informação, para se legitimar na importância de sua existência para o país. Não encare isso como uma arrogância da minha parte em auto colocar-me fora desse nicho especifico, porém aprendi há muito tempo á usar a palavra por que em todos os campos da minha vida.
A sociedade, em especial os mais carentes precisam parar de ser dosséis e encarar de fato o que está acontecendo fora de seus quintais Perguntarem mais seria o inicio para uma mudança. Questionar, pesquisar e evoluir seria a solução e a constatação da mudança
Bope II é uma obra prima, que relata as mazelas do Brasil e perto do seu final manda um recado para o povo brasileiro, dizendo que a corrupção não para, ela só troca de mãos, não muda, processo interrupto. É termina com um pouco de esperança, refletida na incógnita frase: talvez melhore, mais vai demorar.
Esse filme disse tudo que eu queria dizer as pessoas, aos amigos e a família. Agora numa roda sobre política, não irei me desgastar muito, só direi para assistirem Tropa de Elite 2, que verão como a ficção relatou a realidade. É olha que vem ai mais uma porrada, o filme do Mensalão vai começar a ser rodado, informação confirmada pelo mesmo Padilha.
Ficha Técnica :
Titulo Original: Tropa de Elite 2
Gênero: Ação
Duração: 01 hrs 56 min.
Ano: 2010
Direção: José Padilha
Roteiristas: José Padilha e Bráulio Mantovani
Edição: Daniel Rezende
Direção de Arte: Tiago Marques
Fotografia: Lula Carvalho
Musica: Pedro Bomfman
Figurino: Cláudia Kopke
Elenco: Wagner Moura – André Ramiro – Maria Ribeiro – Mihem Cortaz – Pedro Van Held – Sandro Rocha – Tainá Muller – Seu Jorge – Irandhir Santos – André Mattos – Emilio Orcillo Neto –
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