Quero ser John Malkovich é um exercício psicológico para qualquer leigo no estudo da mente humana. Vemos as piores facetas do ser humano através do cérebro do astro hollywoodiano. A princípio, o sentimento de dúvida paira na mente, isso, porque nos primeiros minutos do longa-metragem não se consegue entender o  significado do título do filme.
De cara, sabemos que Greg (John Cusack) é um ventríloquo frustrado, ao lado de Lotte (Cameron Dias) formam um casal hippie, por conta do visual e de algumas extravagâncias durante sua vida conjugal, como por exemplo, manter um gorila como um animal de estimação.
Sem perspectiva, Greg consegue um emprego de arquivista no 7° e meio andar de um edifício comercial, onde as pessoas andam curvadas por causa do teto que é baixo. (Até esse momento da fita, não temos sequer indício de o porquê do longa se chamar assim)
Mas sabemos que algo de interessante está surgindo. Nesta incógnita de onde o roteiro está nos levando, é que aparece Máxine Lund (Catherine Keener) uma funcionaria que de premissa gera um interesse em Greg.
Então, numa cena aparentemente normal, o mistério se sana, é de repente, junto com o personagem de Cusack, descobrimos no departamento de arquivo, uma porta secreta, onde somos jogados na mente de John Malkovich, por quinze minutos testemunhamos a sua intimidade. Depois, do tempo estipulado, sem direito a aviso, somos cuspidos numa estrada na saída de Nova Jersey (EUA).
É muita maluquice para você? Amigo, se não estiver apto a novidades te aconselho a não seguir adiante, tanto nessa resenha sem compromisso, quanto no longa-metragem.
Logo a novidade de que existe um portal para entrar na mente do astro se espalha, é Greg juntamente com Máxine criam uma espécie de tour para o cérebro do ator e começam faturar dinheiro levando pessoas para ser John Malkovich por quinze minutos.
O problema é que Lotte começa a nutrir uma paixão doentia em ser tornar o ator e isso abre espaço para relações um tanto estranhas e confusas, ou seja, ela entrando na mente de John começa a ter encontros amorosos com Lund, é em contrapartida se apaixona por ela, mas só quando Lotte se encontra na mente de John. Loucura, loucura, loucura.
Mas as loucuras não param por ai, porém descrever os próximos passos insanos do filme de Spike Jonze, roteirizado por Charlie Kaufman seria delimitar a sensação única do individuo em se deparar com uma obra totalmente inovadora e cheia de fragmentos que degreda os valores atuais da humanidade.
Essa humanidade que século após século distorce cada vez mais os conceitos e o real significado do que é a vida. Das verdadeiras conquistas, dos verdadeiros objetivos. Jonze através da sua quase fabula demonstra a superficialidade da sociedade pós-moderna, que abastece o terrível mercado das celebridades.
Tornando-se assim um ser humano sem alma, livre de qualquer valor, um corpo vazio, onde suas ilustres preocupações se primam à estética, conquistas materiais ou a opinião alheia. O fato é que as pessoas são sugeridas a todo o momento, por meio de revistas cujo objetivo é vender é vender, para ficarem cada vez mais jovens e se parecerem mais com as pessoas que detêm fama.
Marionetes seria a palavra ideal para rotular a sociedade do consumo. Na metrópole, muitos ventríloquos se camuflam entre os edifícios que a compõem. Vivemos a época onde ser o outro é muito melhor do que ser si próprio.
Se caso algum diretor brasileiro quiser adaptar a fita em terras brasileiras, deixo algumas sugestões: “Quero ser Grazi Massafera”, “Quero ser Fiuk” ou “Quero ser um BBB”. É assim seguimos adiante ….



Título original: Being John Malkovich
Ano: 1999
Diretor: Spike Jonze
Roteiro: Charlie Kaufman
Duração: 112 min.

Elenco: John Cusack, Cameron Dias, Catherine Keener, John Malkovich, Orson Bean

Anúncios