Após o término do filme “Todos os homens do presidente”, pensei alguns segundos e refleti. Houve em mim a sensação “única” em ter escolhido a profissão correta para exercer pelo resto da vida. No entanto, lembrei que o jornalismo está em coma há muito tempo. A lembrança ocorreu quando voltei à realidade, ou seja, no ato de acompanhar um telejornal que camufla a verdade, no clique da noticia polêmica barata, na leitura de um jornal partidário, enfim. Sou um estudante de jornalismo desacreditado com o diagnóstico que a profissão apresenta no sentido amplo das possibilidades.
Entretanto, foi esplêndido ser Dustin Hoffman por alguns segundos. Ah! Como eu queria acreditar que faz sentido ser jornalista nos dias atuais, quando é levado em consideração o quadro geral da profissão. Que não importa o que aconteça, seremos agentes da noticia em tempos de promessa de uma economia crescente. Não adianta, não é? O mercado é quem manda, servimos a esse camarada, intangível, fora do alcance, arrogante, prepotente, que joga e queima os princípios básicos do jornalismo numa lata de lixo qualquer.
O jornalismo é algo importante, fundamental na sociedade, gerador de influências, prestador de serviços, realmente “o quarto poder”. Pois é, não ganho em nada nesse discurso ideológico, no entanto, perguntado a mim uma vez numa conversa qualquer de bar, se ainda existia jornalismo decente nessa terra desamparada, respondi que sim, que se fizesse um levantamento parcial, restaria uns 25% de veículos que carregam consigo os princípios básicos da categoria. Poderia citar as revistas Caros Amigos, Piauí e a Trip.
Em, todavia, atingiria uma boa parte da felicidade se estivesse integrado a qualquer um desses veículos. É quem sabe, o fato de ainda estar presente na graduação seja um índice indireto (afastado) de acreditar nessa pequena safra qualitativa.  
Isso me fez lembrar que nem tudo está perdido. A internet está ai para decretar os anseios da independência, pegamos de exemplo os bloggers. Excelente instrumento para continuarmos o jornalismo objetivo (romântico). Donde, a verdade é simplória é única e real movimentação para a elaboração de uma notícia.
Fato comprovado na fita “Todos os homens do presidente”, no qual o diretor Alan J. Pakula, recria o ambiente do acontecimento, que marcaria a profundidade e o poder do jornalismo feito pelo simples objetivo de informar (fiscalizar) a sociedade. O caso Watergate tem que ser encarado e tratado como uma inspiração jornalística, uma ponta existente de esperança.
Acredito no “faça você mesmo”, acho que os bloggers sejam o sinônimo de independência, por isso mantenho o meu. Porém, não sou bastardo e não posso viver de ideologia, elas são lindas dentro do livro, sendo assim, necessito do dinheiro para auto-sustento. É entre ser um jornalista hipócrita, prefiro aventurar-se no mundo publicitário, onde as maquiagens são claramente expostas, não camufladas.
Sou critico ferrenho do jornalismo mercadológico, por uma simples razão, sou morador da periferia. Aqui, vejo como a mídia predomina na rotina dos moradores, em diferentes campos sociais. Elas sugerem, o povo abraça. Os valores são predominados por suas manchetes e opiniões preconceituosas, a cultura é a que vende. Vender é o barato. Iniciamos o fenômeno “Agenda Setting”, assim, julgamos sem nenhum embasamento, indivíduos que colocados na ótica da justiça são meramente suspeitos por desvio de conduta. Eles sugerem, nós viramos a justiça por conta do discurso hipócrita televisionado a todo instante na televisão. Acreditamos mais no caríssimo William Bonner do que em Jesus Cristo.
Não é anormal reconhecer que jornalismo mercadológico é sinônimo de manipulação. Para isso é para todos os hipócritas da noticia, finalizo com uma citação do jornalista Chico Sá: “Jornalistas acham que estão tratando da realidade, mais eles obedecem a padrões, a interesses, a filtros, a uma porrada de coisas, no final da cadeia o peixe estará envolvido numa mentira”.  
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