França, 2009. Direção de François Ozon. Com Isabelle Carré, Melvil Poupaud, Louis-Ronan Choisy, Pierre Louis Calixte, Marie Riviére, Claire Vernet.

O áudio visual imita a realidade, um relato sincero sem parecer piegas em momento algum. O refúgio mostra o necessário para compreendermos a vida.

A vida que contém drogas ilícitas, cuja proibição incita a curiosidade, querendo ou não, é fato consumado, porém divago sobre tal aspecto, quero fortalecer que a nova obra de François Ozon aborda esse tema de premissa e não utiliza do clichê facilmente localizado nas telenovelas brasileiras. É tudo seco, real.

É nessa perspectiva conhecemos o mundo de Mousse (Isabelle Carré) e Louis (Melvil Poupaud), um casal parisiense, viciados em Heroína. Após uma forte dosagem ambos sofrem uma overdose, no entanto, só ele morre. Hospitalizada, ela descobre estar grávida de oito semanas dele.

Ocorrendo uma ligeira pressão por parte da família do ex-namorado, Mousse muda-se para a casa de um ex- amante próxima a beira do mar, permanecendo quase isolado do mundo, visando ter a sua gravidez em paz.

Porém, Paul (Louis-Ronan Choisy), irmão do seu ex-namorado muda-se para a mesma casa, no intuito de passar as férias. Nessa convivência, nasce a descoberta que ambos possuem muitas coisas em comum.

É neste relacionamento que gira as questões da projeção. Será que Mousse está idealizado a imagem do seu ex-namorado na face do seu irmão? A mudança da protagonista é tênue, por meio do reflexo do espelho vemos passo a passo florar a sua nova personalidade.

A trama não fica presa em um mero relato sobre drogas, no conjunto de assuntos abordados, sintetizamos assuntos variados como renascimento, isolamento, reconstrução, relacionamento e liberdade. Basta ver e concluir.

Ao contrário do escrito pelo crítico Rubens Edwald Filho, que dizia que a narrativa é batida e a protagonista é velha, sem carisma algum, reforço que a proposta da produção, não é entreter e sim denunciar ou constatar uma “França contemporânea”, regida pelo conservadorismo, que implica o uso das drogas, é por meio desse retrato a atriz Isabela Carré nos forneceu um show de delicadeza e talento.

Outra vez o cinema europeu saiu na frente em matéria de registro áudio visual. Já sou fã da produção cinematografica europeia à muito tempo, a cada obra assistida necessito afirmar que o cinema feito lá é o melhor do mundo, sem entusiamo, mas as histórias europeias me rendem dias ensolarados.

Anúncios