A nostalgia sintetiza “O Pequeno Nicolau”. O segundo filme de Laurent Tirard como diretor é baseado na obra infanto-juvenil “Le Petit Nicolas” criada em 1959, pelo escritor René Goscinny (co-autor de Asterix) e ilustrado por Jean-Jacques Sempé

Se Tirard havia ganhando destaque na indústria cinematográfica francesa por misturar o lado cômico com o romantismo, nesse lançamento, o diretor vai além e embarca numa produção infantil, criando o seu próprio universo.

 Apesar, de a projeção ter sido encomendada, o diretor consegue ser fantástico na direção do elenco infantil. Fator principal para a qualidade apresentada.

Na historia, entramos numa França antiga, especificamente dos anos 50. Nos primeiros minutos, por intermédio do protagonista, conhecemos o seu mundo e todos os personagens inseridos nele, todos citados de uma maneira que enfatize a sua característica.

Nicolau (Maxime Godart) é o responsável pela narração. Trata-se de um garoto que é filho único e segue numa vida confortável em segurança nas barras dos pais. Entretanto, um evento está prestas a ameaçar a tranqüilidade ate então, por influência de um amigo que acabara de ganhar um irmão, Nicolau começa acreditar que sua mãe esteja grávida e, isto signifique que será abandonado pelos pais. No intuito de resolver o problema, cria uma liga junto com os amigos.

Paralelo ao fio condutor, existem outras situações com os demais personagens, que determinam o ritmo do longa. Além de gerar os momentos mais engraçados da projeção.

No termino da seção, a nostalgia transpassa da tela para o público. Para quem cresceu doutrinado pelas produções infantis: A Guerra dos Botões, de Yves Robert (1962) e The Gonnies, de Richard Donner (1985), voltaram a ser crianças, nem que isso dure apenas uma hora e meia.

Após o termino, vim pensando cá com meus botões que essa produção teria apelo (abertura) suficiente para arrecadar bilheteria com o grande público, no entanto, passara despercebido para maioria. O que, para mim, particularmente é uma crueldade com a obra em questão. Como admirador de cinema e futuro realizador do mesmo, acho que o grande barato de se fazer cinema é conseguir atingir o maior público possível.

Não, compartilho com a idéia de que a obra deva escolher o seu público, deveria ocorrer o contrario, cinema pode sim alcançar um grau especifico de arte, podendo também gerar entretenimento e fornecendo um papel de educador. Qualidade exposta não só na produção comentada, como nos mais diversos filmes europeus que costumam durar semanas em cartaz.

Recentemente, assisti “O Profeta” de Jacques Audiard (2009), outra produção francesa, voltada para o público adulto, pois bem, no final da película, constatei que poderia facilmente ser consumido por outro público, além daqueles de um nicho especifico. Em duas horas e meia temos numa mesma historia, todos os artifícios usados para ser fazer uma historia de ação norte-americana, com muito mais conteúdo do que propriamente ação, porém as cenas de ações filmadas não devem nada a um blockbuster.
Todo esse Bla! Bla! pra concretizar que a produção “O pequeno Nicolau” traria sangue novo nesse mercado tão previsível, como o atual. Faria os pais re-descobrirem a inocência perdida no meio de tanto consumo e serviria de constatação para os filhos, de como é bom ser criança.

Prova de que toda criança deveria assistir o filme é o sucesso demonstrado pelo público infantil na exibição ocorrida na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, pelo festival Varilux do Cinema Francês, que contou com a presença do próprio diretor.

Trailer

·  título original:Le Petit Nicolas
·  gênero:Comédia
·  duração:01 hs 31 min
·  ano de lançamento:2009
·  direção: Laurent Tirard
·  roteiro:Alain Chabat, Laurent Tirard e Grégoire Vigneron, baseado em quadrinhos de René Goscinny e Sem 
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