Na última quinta assisti “O profeta”, obra francesa, dirigida por Jacques Audiard, diretor conhecido pelo drama “De tanto bater meu coração parou” (2005). Lembro de ter saindo da sala do cinema perplexo e ao mesmo tempo animado por ter acompanhado duas horas e meia de puro cinema em todos os aspectos, uma verdadeira obra prima.

A trama começa quando Malik El Djebena (Tahar Rahim), 19 anos, prisioneiro com descendência árabe chega a uma prisão para cumprir a pena de seis anos, porém Malik encontra dificuldade em sobreviver, já que não tem nenhum conhecido que possa o defender. Visando a segurança ao decorrer dos dias é obrigado juntar-se a uma facção criminal, liderados por César Luciani (Niels Arestup).

Na película vemos o quanto o protagonista se modifica ao longo das cenas, somos convidados a acompanhar a sua mudança passo a passo. Desdobramentos marcam o roteiro, é um jogo de intrigas e suspense são jogados pela tela.

Além de muita ação conotando mais emoção á historia, que apesar das suas duas horas e meia é sinônimo de qualidade. O trabalho dos atores é soberbo, o protagonista interpretado por Tahar Rahim é formidável, sua atuação é digna de um Oscar, o mesmo pode ser dito para Nieles Arestup interpretando César Luciani.

O ritmo de causas e conseqüências marcam a montage, a trilha sonora entra em harmonia com  as cenas de  ação, acelerando o filme, destaque para uma cena primorosa de ação gravada nos momentos finais da trama, no qual inicia-se com uma trilha e depois o som é paralizado, simbolizando o momento de tensão do tiroteio que esta ocorrendo, ao decorrer do desfecho final, deixamos de ser espectadores para entrar por segundos na pele do protagonista, ou seja após o silencio apresentado anteriormente,  Malik perde a audição e o vazio, da lugar a uma incompreensão do barulho ao redor, signficado um efeito criado pelo diretor, é como se quem assistisse, estivesse tendo a mesma dificuldade de ouvir.

Uma pena a obra ser fechada para um nicho especifico, uma projeção assim deveria ser espalhada para diversos públicos, cinemão de qualidade única, produto que demonstra um nível inconcebível em termos de técnica, reflexão e autoral.

Para esse que escreve o melhor filme visto no ano e um dos melhores já vistos.

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