Foto creditada ao site adoro cinema

A partir da ultima década a adolescência foi rotulada como a idade da rebeldia sem causa. O excesso de alienação paira nos quartos solitários destes indivíduos que buscam notoriedade a qualquer custo, mesmo que seja de uma forma inconsciente. Suas necessidades são supridas rapidamente por meio de um produto especifico a mostra. Os seus problemas são os maiores do mundo, contendo sempre uma solução esperada. O novo filme de Laís Bondazky, diretora do sempre brilhante “o bicho de sete cabeças”, adentra no mundo adolescente em As Melhores Coisas do Mundo.

Escrito pelo marido e roteirista Luiz Bolognesi, as melhores coisas do mundo, nós direciona ao mundo do adolescente da classe média paulistana. No ambiente da escola e fora dela, conhecemos o protagonista da historia, Mano, típico garoto de 16 anos, rodeado de amigos, mal humorado com a família e preocupado com as aparências.

Como escrito acima a historia pode ser retratada por um grupo juvenil da classe media, porém, não seria equívoco afirmar que determinadas cenas relatam, honestamente o cotidiano de uma geração que esteja atravessando esta fase, independente da sua classe social.

Portanto, poderíamos nós, o público, esperar um retrato fiel desta geração, com o longa-metragem de Bondazky? Não, presenciamos um meio termo desta salada chamada adolescência. A confirmação desta resposta é encontrada no personagem, dona de um blog, no qual mantêm as informações dos alunos mais populares da escola. O desnecessário do roteiro, a fantasia do mesmo. Não vejo motivo para a inclusão de um personagem tão caricato, nitidamente emprestado dos besteiróis americanos e malhações sem graça a toda vida. Mesmo, demonstrado alguma insignificância no roteiro De longe um dos pontos fracos da projeção.

Outro desapontamento foi gerado ao inicio, quando a apresentação surgiu. Detesto apresentações existentes com a funcionalidade de fortalecer as legendas, clichê facilmente observando nas obras nacionais. Isto me aborrece de uma forma inexplicável.

O elenco é dividido entre nomes conhecidos e desconhecidos. O protagonista é interpretado pelo novato Francisco Miguez, sua melhor amiga é melhor personagem da historia é interpretada pela novata Gabriela Rocha. Os atores conhecidos são Zé Carlos Machado, Denise Fraga, Caio Blat e Paulinho Vinhena. O astro teen do momento Fiuk, interpreta Pedro, irmão mais velho de Mano, uma das surpresas, com um dos personagens mais interessantes.

Vivemos numa temporada diferente do cinema nacional. As historias com a temática jovem ganham espaço na indústria cinematográfica. Em menos de um mês, aconteceram duas estréias sobre este aparato, Os famosos e os Duendes da Morte e As Melhores Coisas do Mundo, ambos com características próprias e destinados a um nicho especifico de público, o alternativo e o popular.

Os famosos e os Duendes da Morte, estabelece um sentimento de inquietação perante o espectador, As melhores coisas do Mundo torna-se entretenimento, com sinônimo de cinemão, com pintadas de problemas, mas com a solução previsível. Um lhe pergunta e questiona, o outro joga e assopra.

É sempre bom ver o cinema lotado, ainda mais, sendo projetado um filme brasileiro, vida longa as melhores coisas do mundo.

Rômulo Mendes

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