(imagem creditada ao site adoro cinema)

Antes mesmo de escrever qualquer coisa, insolação é uma experiência áudio visual. Simples assim, cabe o espectador gostar ou não. Particularmente a historia me estremeceu do começo ao fim. Lembro de ter lido algumas criticas na qual apontavam o filme como difícil de ser digerido, tendo esse ponto de vista ostentado na minha mente, compareci ao cinema meio ressabiado de estar prestes a presenciar uma obra totalmente intelectualizada, um pequeno deleite para os realizadores da obra. Nada disso aconteceu, foi tudo ao contrario, já nos primeiros minutos dei conta de estar presente em uma dos melhores registros feitos no cinema nacional desde Lavoura Arcaica.

É complicado omitir uma opinião diferente de um critico de cinema, principalmente quando você constata observações encontradas dentro da critica que seus olhos não enxergaram no exato momento que o filme passava, o que acaba refletindo em sua opinião sobre determinada historia. Muitos são os fatores para isso ocorrer, primeiro, porque sua percepção ao se deparar com uma manifestação artística, só desenvolve de acordo com o estimulo encontrado, por ter parado algumas horas na frente de uma tela, recebendo imagens e falas. Representa entretenimento? Ou inquietação pelo saber? A segunda razão freqüente para a falta de entendimento em algumas cenas é a cultura estabelecida, pela bagagem cultural os detalhes são vistos naturalmente é a ultima razão é ser enlouquecida pela sétima arte, para perceber os elementos por trás do filme mesmo sem muito conhecimento técnico das linguagens de cada função do fazer cinema. Opino e escrevo sobre películas que assisto. Portanto, sem muito embasamento, contrario todas criticas que ousam questionar a qualidade da historia de Felipe Hirsch e Daniela Thomas.

No dicionário a palavra insolação significa ação de expor ao sol e ação de raios solares sobre um objeto, pertinente ao local da historia e aos personagens expostos, a uma Brasília ensolarada e abandonada. Numa breve comparação utópica, da cidade futura com o sentimento do amor absoluto, os dois argumentos naufragam e se tornam melancólicos. No qual os personagens vivem e intercalam por meio de de pequenos monólogos ou relativas relações. Os diálogos são capazes de anunciar as cenas e o silêncio e a trilha sonora de orientar cada ação.

O que é Paulo José? Atuando como se estive regendo uma orquestra, suas falas, seus olhares, sua feição, perfeito. Logo após ter assistindo insolação, notei numa banca de jornal o Paulo Jose na capa da revista Bravo, por curiosidade ocasionada pela sua atuação, foliei as paginas que continha sua entrevista e vi que este senhor sofre por mal de ausaimer é usa diferentes técnicas para continuar seu trabalho. Genial, uma lição de vida, uma demonstração do amor pela sua profissão.

As boas atuações não param somente em Paulo José, o elenco todo esta bem, sincronia formidavel nos diálogos, excelente dinamismo. A direção de Felipe Hirsch e Daniela Thomas é otima, eles diferenciam em diferentes planos, ora longos, ora closes, ora ofuscado. Na fotografia podem-se observar pequenos elementos que compõem as cenas. A montagem é totalmente teatral, não tem ordem cronológica certa, transformando numa licença poética impressionante, conseguimos captar a aflição de cada personagem.

Terminando o filme e chegando aos créditos finais, queria mais Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Obrigado por ter realizado esse trabalho.

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